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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 285

Laís lançou um olhar feroz para Felipe antes de desviar o rosto.

Ela ergueu a cabeça, contendo à força as lágrimas que ameaçavam rolar de seus olhos.

Segurando Aline em seus braços e vendo o quão menor e abatido o rostinho da filha estava, seu coração sangrava de dor.

Em apenas dois dias nas mãos deles, era como se sua pequena Aline tivesse passado por uma provação terrível.

Ao ver Laís, o olhar inocente da bebê pareceu um tanto confuso. Logo em seguida, seus lábios se curvaram em um beicinho magoado e ela desatou a chorar novamente.

Laís a abraçou, embalando-a suavemente enquanto a confortava com murmúrios doces.

Talvez por finalmente sentir o cheiro da mãe, Aline parou de chorar pouco a pouco, adormecendo tranquila e encolhida no abraço de Laís.

Laís entregou Aline aos cuidados de Astor, que estava ao seu lado.

Ela deu um passo à frente e desferiu um tapa forte e estalado no rosto de Felipe. Ele nem sequer tentou se esquivar.

Fazendo um esforço descomunal para controlar suas emoções e manter a calma, ela o questionou.

— Por que a nossa filha tem marcas de agulha na mão?

Felipe, cobrindo o rosto com a mão, mantinha uma expressão rígida.

— Ela teve febre. Depois que a temperatura baixou, começou a tossir muito. O Dr. Horta sugeriu que tomar soro a faria melhorar mais rápido.

Ao ouvir aquilo, Laís ficou tão furiosa que quase desmaiou. Sem conseguir se conter, desferiu um soco no peito dele.

— É isso que você quis dizer quando afirmou que toda a sua família a amava e estava cuidando bem dela?

— Felipe, você ficou com ela apenas um dia e já a deixou com febre. Além disso, ela só tem três meses e você concordou em deixar o médico da família aplicar soro nela? Você... você...

A raiva entalou de tal forma na garganta de Laís que ela não conseguiu mais falar.

Felipe massageou a têmpora, tentando se justificar.

— Eu admito que não cuidei bem da nossa filha, mas desta vez, toda a família estava realmente empenhada. Especialmente a minha mãe. Antes ela dizia detestá-la, mas no momento em que a viu, sua atitude mudou. Nesses dois dias em que a bebê ficou doente, ela mesma cuidou de tudo pessoalmente. Talvez... ela sempre a tenha provocado pelas minhas costas, mas não é... tão ruim assim.

Ao escutar que fora Patrícia Lacerda quem cuidara de Aline, a indignação de Laís atingiu o ápice, e ela acertou mais um soco no peito de Felipe.

— Você... Você tem muita audácia de entregar nossa filha nas mãos da sua mãe! Você por acaso não sabe o quanto ela me odeia?

— E, mesmo a essa altura, você ainda tem coragem de defender e dar desculpas por ela!

Ele jamais poderia imaginar que aquela nora, que outrora considerava tão insignificante, pudesse ter qualquer ligação com a Capital Pedra Negra, a maior empresa do País A.

Seria possível que o boato que ele ouvira há uns dois anos fosse realmente verdade?!

Poderia ser que... Os olhos de Fernando moveram-se rapidamente e, de repente, uma ideia lhe surgiu na mente.

Quando Laís se preparou para sair, Fernando Vasconcelos entrou no aposento com um sorriso no rosto.

Laís ergueu a cabeça e, ao se deparar com aquele sorriso calculista e hipócrita, digno de uma raposa velha, não pôde evitar um calafrio.

Ela mal podia acreditar no que via...

Afinal, aquele quase ex-sogro, de aparência severa e inflexível, que nunca esbanjara um traço de alegria, também sabia sorrir?

E, se seus olhos não a enganavam, ele estava... sorrindo para ela?

Fernando se aproximou, adotando uma postura submissa.

— Laís, sinto uma profunda tristeza e muita compaixão por tudo o que você passou na família Vasconcelos nos últimos anos.

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