Após ser trazida de volta, Aline ainda soltava algumas tossidas.
Laís e Lídia Lima prontamente a levaram ao hospital para realizar exames completos. Ao confirmarem que era apenas um resfriado comum causado pelo frio e que não havia hematomas ou machucados no seu corpo, seus corações puderam finalmente relaxar.
Quando voltaram com Aline do hospital, já estava escurecendo.
Dona Zélia havia preparado a comida em casa, mas Laís e Lídia Lima estavam sem apetite. Elas deram apenas algumas garfadas apressadas e voltaram a se concentrar em Aline.
Era nítido o impacto do susto nos últimos dias na criança, pois seu sono era bem agitado. Frequentemente, a pequena sofria espasmos durante o sono, acordando em lágrimas com gritos sobressaltados.
Laís, apreensiva, fez questão de cuidar da menina com Dona Zélia durante a noite, obrigando Lídia Lima a descansar, uma vez que ela não dormia direito há vários dias.
A noite no Brasil correspondia à manhã do País A.
Laís atendeu a uma ligação do seu irmão:
— O Grupo Vasconcelos injetou uma grande quantidade de dinheiro para estabilizar o mercado e as ações mostram indícios de recuperação. O que você deseja que seu irmão faça?
Laís baixou os olhos, lançou um olhar para Aline, que acabara de adormecer na cama, e falou com a voz bem suave e baixa:
— Irmão, quanto eles perderam até agora?
— Numa estimativa inicial, algumas dezenas de bilhões. Após essa jogada, devem levar muito tempo para conseguirem recuperar o prejuízo financeiro.
— Vamos deixar isso como uma lição por enquanto — disse Laís. — Afinal, eu e o Felipe ainda não nos divorciamos formalmente. Se ele afundar em dívidas, eu também serei afetada legalmente.
— Tudo bem, o irmão vai seguir as suas ordens. Como está a minha sobrinha pequena? Ela tem sido boazinha?
— Ela é bem comportada — Laís sorriu fracamente. — É só que ela ficou um pouco traumatizada e não está conseguindo dormir direito.
— Já mandei o Astor reforçar a segurança em torno do local secretamente; um acidente desses não pode voltar a acontecer.
— De qualquer forma, Laís, você e a mãe devem manter o máximo de cautela. Divorcie-se logo de Felipe para que esse inferno chegue ao fim.
Se gostava tanto de se ajoelhar, que continuasse ali.
Ela puxou a cortina rapidamente, escondeu qualquer fresta que pudesse ser vista de fora, abraçou sua filha ternamente e logo adormeceu.
Na metade da noite, os fortes trovões e o som torrencial da chuva do lado de fora acabaram despertando-a.
Com a luz baixa da luminária de cabeceira acesa, ela se levantou, foi até a janela, repuxou um pedaço da cortina intuitivamente e olhou para baixo.
Contrariando suas expectativas, a atitude de Felipe desta vez era muito devota; ele seguia ajoelhado com a postura ereta, não se movendo para fugir, mesmo debaixo da tempestade, permitindo que a água encharcasse o seu corpo inteiro...
Repentinamente, Laís lembrou-se do ano, depois que eles se casaram, em que foi punida por Patrícia Lacerda durante o Festival da Lua e ficou ajoelhada por nada menos que cinco horas debaixo de chuva.
Quando finalmente pôde levantar-se, suas pernas mal pareciam fazer parte do seu corpo, a dor nas articulações a obrigou a ficar recurvada, sendo impossível sequer manter-se de pé.
Passando pouco tempo desde que tomara banho após regressar à Vila das Rosas, seu corpo ferveu em febre.

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