Carla já havia jogado muito "pedra, papel ou tesoura" para beber com Guilherme aquela noite, bebendo tanto que já estava meio tonta e embriagada.
Laís concordou com ela dizendo "é isso aí" e brindou seu copo com o dela. Logo as duas esvaziaram os copos.
Ela sentiu a sua consciência um pouco embaçada, achando que estava apenas muito cansada ultimamente, então encostou-se na cadeira.
E Carla, após beber aquele copo, também tombou na cadeira, apagando completamente.
Jorge e Guilherme foram fumar num canto ali perto. Ao voltarem, perceberam que as duas mulheres já estavam deitadas em suas cadeiras, adormecidas.
Guilherme sorriu:
— Olhe só essas duas amadoras... Parece que a noitada vai acabar mais cedo hoje.
Jorge assentiu, olhando para o relógio em seu pulso:
— Sim, já está quase na hora de terminarmos.
A área de acampamento ficava a cerca de um quilômetro do lugar onde estacionaram os carros.
Jorge se aproximou e empurrou as duas gentilmente, mas ambas estavam tão dominadas pelo álcool que não se moveram um milímetro sequer.
Jorge franziu as sobrancelhas, impotente, e apontou para o estacionamento:
— Guilherme, você carrega uma e eu carrego a outra?
Guilherme assentiu e foi direto para perto de Laís. Assim que se abaixou instintivamente para ajudá-la, um braço apareceu bloqueando o seu caminho.
Jorge lançou um olhar rápido na direção de Carla:
— Deixa a Laís comigo. Tudo o que você precisa fazer é levar a Carlinha em segurança para casa.
Um sorriso cheio de segundas intenções apareceu no rosto de Guilherme, e ele deu um tapinha no ombro de Jorge:
— Eu disse que você, com certeza, ainda...
Jorge o interrompeu às pressas, com uma expressão severa:
Tendo feito tudo isso, ele estendeu a mão, passou os dedos levemente para arrumar os cabelos bagunçados da testa dela e murmurou num tom levemente recriminatório:
— Se eu soubesse que a sua tolerância para bebida era tão baixa, não deixaria você beber agora há pouco. Ficar bêbada assim é muito ruim...
Laís ouviu de forma abafada uma voz melodiosa soando do alto de sua cabeça; queria desesperadamente responder, mas não conseguia pronunciar uma sílaba.
O corpo dela foi ficando gradativamente quente. Sentiu as maçãs do rosto ardendo, uma sede torturante, e a sensação de estranheza crescendo no fundo de suas vísceras ia se tornando cada vez mais explícita.
Jorge retraiu a mão após ajeitá-la e estava prestes a voltar ao banco do motorista para dirigir, quando, de repente, os braços de Laís enlaçaram o seu pescoço. O tom de Laís era ofegante:
— Eu... estou com sede...
Jorge levou um sobressalto interno. Ao recobrar a reação, preparou-se para afastar os braços de Laís para pegar uma água num compartimento do carro.
No entanto, Laís ergueu o corpo de súbito.
O seu rosto estava congestionado de desejo e a respiração fervia. Parecendo uma pequena gata esfomeada encontrando subitamente uma refeição saborosa, ela lançou seus lábios de encontro aos lábios de Jorge—

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