O filho era a menina dos seus olhos, seu orgulho, tudo em sua vida.
Nos últimos dias, com febre, pneumonia e falta de apetite, ele a deixava angustiada.
Ela, que raramente entrava na cozinha, passava agora os dias estudando receitas, variando os pratos e caldos, com o objetivo de fortalecer Felipe.
Ver como Laís conseguiu levar seu precioso filho a tamanho sofrimento...
O ódio de Patrícia por Laís era tão profundo que ela a esquartejaria se pudesse. Ao picar a carne, balançava o cutelo com tamanha violência que os empregados da Mansão Vasconcelos temiam a qualquer instante um assassinato na cozinha.
— Filho, cheguei. Olha o que eu preparei para você: seu caldo de osso com inhame favorito. O osso é de carne de sol, encomendei a mais fresca das fazendas, enviada de avião. Prove.
— Também fiz sashimi de salmão, caranguejo-real ao alho, bife grelhado...
Desde pequeno, Felipe era um carnívoro nato, apaixonado por carnes e frutos do mar.
Patrícia, nesses dias, fez um esforço hercúleo para cozinhar tudo o que ele gostava.
Mas, no momento, a comida não exercia nenhum apelo sobre ele.
Ao ouvir a apresentação entusiasmada da mãe, ele apenas lançou um olhar frio, sem emoção, parecendo um zumbi:
— Mãe, pode deixar aí. Eu preciso perguntar uma coisa.
Patrícia insistiu, enchendo uma tigela com arroz e levando até ele:
— Filho, coma enquanto está quente. Só um pouquinho, a gente conversa depois. Vamos lá, abra a boca, a mamãe te dá.
Felipe não estava acostumado a ser mimado por Patrícia na idade adulta; afastou a mão dela e disse, num tom mais rígido:
— Mãe, já falei, deixa aí. Eu como depois.



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