— Você quer tanto que eu a deixe ir, só para poder ficar com as sobras, não é?
— Preste atenção, Jorge, eu não vou fazer as suas vontades!
— Enquanto a Laís e eu formos casados no papel, se você tentar qualquer coisa com ela, será o amante que está destruindo o nosso casamento! Pense bem, Jorge, ainda dá tempo de desistir. Caso contrário, vou arruinar a sua reputação e fazer com que você seja desprezado por toda a alta sociedade!
Jorge lançou um olhar gélido para Felipe, os olhos excepcionalmente resolutos:
— Eu não sou como você. Não me importo com o que os outros pensam de mim, só quero que a Laís possa ter uma vida mais tranquila.
— Eu não cuido dela porque quero seduzi-la ou torná-la minha, mas sim para fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que ela volte a ser aquela garotinha da infância, que era livre de preocupações e vivia sorrindo!
Felipe percebeu algo nas palavras de Jorge e sua voz ficou imediatamente tensa:
— Infância? Você a conhece desde que eram crianças?
Após alguns segundos de confusão, Felipe pareceu entender. Ele deu dois passos à frente e olhou diretamente nos olhos de Jorge, com uma expressão de total incredulidade:
— Não me diga que ela é aquela garotinha de quem você me falou uma vez...
No passado, quando eram grandes amigos que confiavam tudo um ao outro, Jorge havia mencionado sua infância para Felipe.
Ele contou que, quando era bem pequeno, tinha um grande amigo, cuja casa adorava frequentar. Esse amigo tinha uma irmãzinha adorável, risonha, esperta e muito cativante.
Mais tarde, a família do amigo passou por um infortúnio; o amigo foi para o exterior, enquanto a irmã e a mãe permaneceram no país.
Jorge continuou acompanhando a garotinha em silêncio, muitas vezes ajudando-a secretamente.
Jorge havia contado isso a Felipe, mas nunca mencionou o nome da menina.
Felipe também não dera muita importância ao assunto na época; apenas ouviu, deu algumas risadas com ele e logo esqueceu.

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