— Diretor Andrade, a patroa armou uma refeição em casa...
Um dos seus subalternos fez a notificação, que foi atropelada por Jorge:
— Antes de ir para minha casa, vou me encontrar a sós com alguém.
E não se explicou além. Apenas recolheu o aparelho celular e caçou um contato específico até ligar para a pessoa.
Laís terminara recentemente o banquete de sabor picante junto de Carla.
Fazia um pouco mais de um ano, tempo somado com o final da gestação, que ela passava os dias desfrutando somente de sabores insípidos. Enfim ela desfrutara de gostos acentuados de tirar suspiros.
Embora Carla não tivesse acentuado nas dosagens pra preservar o corpo em amamentação da mãe, isso não impediu de a culpa roer a cabeça da Laís pelo estrago.
Ao lamentar mentalmente pelo deslize, a notificação tocou pelo cômodo.
Encarar os dizeres "Jorge Andrade" reluzindo pelo visor a paralisou instantaneamente.
O Jorge não estaria num encargo ultrassecreto no País A?
Como era que a chamaria para uma ligação daquelas?
A sua insegurança lhe atordoava quando atendeu:
— Alô? Senhor Andrade?
Uma voz envolvente ressoou do alto-falante.
— Sou eu, Laís. Estou de volta a Marbella, consegue um tempinho para me encontrar?
Isso acelerou suas batidas, se preparou para o que surgiria da emboscada.
— E pra que gostaria de ver meu rosto?
Da sua voz escapou ausência de sentimentalismo:
— Sobre o seu estardalhaço virtual. Tinha de conversar certas circunstâncias com você.
Um aperto fez-se na base do nariz e sua premonição garantia de que esse sujeito desceu à cidade pela honra de Sofia.
Imprevisto e absurdo. Um boato passageiro lhe exigiu atirar um assunto seríssimo longe a troco da integridade de Sofia?
Como a ordinária ressaltou pra todos ouvirem: a devoção de Jorge estaria ao seu controle.
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