— O que ela veio fazer aqui?
— Este complexo abriga várias empresas e estúdios de design. Isso não é bom... — murmurou César, franzindo a testa.
— Como assim, não é bom?
— Ela pediu demissão há poucos dias. Vindo para cá... será que está procurando emprego ou pensando em abrir o próprio estúdio?
O rosto de Felipe fechou na hora.
César não ousou dizer mais nada. O silêncio tomou conta do carro.
Felipe acendeu um cigarro e o fumou em tragadas contínuas. Não deu sinal de que iria embora, tampouco fez menção de descer.
Cauteloso, César perguntou:
— Chefe, entramos para dar uma olhada ou vamos embora?
— Avise ao mercado inteiro: Laís é minha mulher. Nenhuma empresa tem permissão para contratá-la.
...
Após cinco anos pegando trabalhos como freelancer, Laís finalmente estava prestes a ver de perto as instalações do "Rio Grande", o estúdio de design com o qual colaborava há tanto tempo.
O Estúdio de Design Rio Grande era muito maior e mais imponente do que ela imaginava. O ambiente de trabalho era impecável: possuía uma cafeteria exclusiva, salas de descanso e de jogos para os funcionários, tudo cercado por muitas plantas e coroado por um enorme e elegante terraço.
Aquele ambiente de trabalho humanizado fez os olhos de Laís brilharem.
Assim que se anunciou como "Aélis", não demorou para que a levassem até o dono do estúdio, com quem ela sempre mantivera contato apenas de forma virtual.
Ele usava o pseudônimo "Pena". Após as apresentações, Laís descobriu que seu nome verdadeiro era Gabriel Jardim, um jovem de traços finos e bonitos, com impressionantes um metro e oitenta e três de altura.
Encontrar dois homens tão charmosos e educados no mesmo dia era, sem dúvida, uma tremenda coincidência.
Assim que se acomodaram em um dos sofás do terraço, Laís deixou escapar, de forma instintiva:
— Por acaso você tem alguma ligação com a família Andrade de Marbella?
Gabriel piscou, surpreso, mas riu e negou:
— Eu adoraria ter, mas infelizmente não nasci com essa sorte.
Ainda bem... A tensão nos ombros de Laís desapareceu instantaneamente.
...
Quarenta minutos se passaram.
Após sair brevemente para dar um telefonema, Gabriel retornou decidido. Ele assinou o contrato na mesma hora, aceitando Laís como sua nova sócia no Estúdio Rio Grande.
No entanto, ele recusou a proposta financeira dela, exigiu apenas que Laís entrasse com seu talento e expertise. Com as bases de uma parceria igualitária firmadas, ambos selaram o acordo inicial.
Foi só então que Laís descobriu que o estúdio não havia sido fundado por Gabriel. Havia um grande investidor por trás dos bastidores, cuja identidade ele preferiu não revelar.
De qualquer forma, esse misterioso chefe jamais interferia nas operações diárias. Gabriel o consultava apenas por polidez, a verdadeira autoridade para as decisões sempre estivera em suas mãos.
Com o contrato assinado, Laís caminhou rumo à saída do complexo.
Gabriel fez questão de acompanhá-la até o térreo. Após trocarem sorrisos e acenos educados, Laís deu as costas e partiu.
Assim que atravessou os portões, contudo, seus olhos encontraram uma figura alta e esguia parada bem na frente do seu carro.
Com os braços cruzados, o homem a encarava fixamente. Mesmo a uma certa distância, Laís pôde sentir o ar gelar ao seu redor.

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