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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 531

O objetivo original de Zoraida ao dar aquele telefonema era fazer uma demonstração de força e ferir profundamente Laís.

Zoraida sempre foi rancorosa. Ela continuava remoendo o fato de Jorge ter ferido seu orgulho naquele quarto de hospital e, por consequência, ter sido castigada pelo pai com uma semana de confinamento.

A intenção era enojar e humilhar Laís da pior forma possível, mas quem diria que, em vez de ficar chateada, a mulher permaneceria tão calma a ponto de dar risada e ainda por cima sugerir falar com o pai dela.

Uma pontada de pânico atingiu Zoraida, que tentou forçar uma pose de tranquilidade:

— O número privado do meu pai não é divulgado por aí e, mesmo que fosse... você não tem provas de nada. Acha mesmo que meu pai acreditaria nas suas mentiras inventadas?

A voz de Laís mantinha aquele tom indolente, revelando uma atitude totalmente despretensiosa:

— É verdade que eu não tenho o número privado dele, mas com certeza o Jorge tem.

— Além disso, quem disse que eu não tenho provas?

— Você não deveria esquecer que a Vila das Rosas é a casa onde eu e o Felipe morávamos casados, o lugar onde vivi durante seis anos inteiros.

— Você é muito corajosa, não é? Queria dar uma de promíscua, mas por que não foi para um hotel? Tinha mesmo que ir até a casa de outra pessoa e deitar na cama de casal do quarto principal?

— Queria sentir emoção, é isso? Senhorita Vargas, eu acredito que o vídeo que tenho em mãos fará com que você sinta emoções ainda mais intensas.

— Fique no aguardo, vou ali pedir o número do seu pai para o Jorge e, então, vou mandar o vídeo para ele dar a opinião dele.

Laís terminou a frase com um ritmo lento e metódico.

Do outro lado da linha, Zoraida ficou paralisada por completo no mesmo instante, o sorriso arrogante congelando em seu rosto.

Passaram-se uns bons sete ou oito segundos até que ela caísse em si e compreendesse o peso das palavras de Laís.

Sua voz mudou de timbre em um piscar de olhos:

— Laís, você... você instalou câmeras escondidas dentro da própria casa?

— Sua pervertida! Como você pôde pôr câmeras escondidas dentro de casa? Você... Eu não acredito, a não ser que você me prove que tem! Caso contrário, nem pense em me assustar!

O rosto de Zoraida se tingiu de uma palidez doentia, enquanto seu corpo inteiro tremia como vara verde.

Apesar disso, a maldita mulher conseguira manter uma postura fria, e, pior ainda, não ligara para Felipe tirando satisfação e continuava demonstrando tamanha calma.

Ela devia ter algum motivo. Uma racionalidade daquelas só poderia esconder alguma intenção secreta.

Zoraida lutava para recuperar a compostura; não permitiria jamais que fosse derrotada por uma zé-ninguém como Laís.

— Diga logo, Laís. O que você quer de mim?

Ela disse em voz baixa e gélida, e sua resposta carregava certa firmeza.

Até que o cérebro dela funcionava bem rápido; de fato, não deixava de ser um pouco mais esperta que Sofia e Melissa.

Laís pontuou:

— Aquele seu projeto Classe S de turismo cultural... Cancele a parceria com o Felipe e feche contrato com a Rio Grande.

O tom usado não deixava espaço para negociação ou sugestões. Era uma ordem pura e simples.

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