O objetivo original de Zoraida ao dar aquele telefonema era fazer uma demonstração de força e ferir profundamente Laís.
Zoraida sempre foi rancorosa. Ela continuava remoendo o fato de Jorge ter ferido seu orgulho naquele quarto de hospital e, por consequência, ter sido castigada pelo pai com uma semana de confinamento.
A intenção era enojar e humilhar Laís da pior forma possível, mas quem diria que, em vez de ficar chateada, a mulher permaneceria tão calma a ponto de dar risada e ainda por cima sugerir falar com o pai dela.
Uma pontada de pânico atingiu Zoraida, que tentou forçar uma pose de tranquilidade:
— O número privado do meu pai não é divulgado por aí e, mesmo que fosse... você não tem provas de nada. Acha mesmo que meu pai acreditaria nas suas mentiras inventadas?
A voz de Laís mantinha aquele tom indolente, revelando uma atitude totalmente despretensiosa:
— É verdade que eu não tenho o número privado dele, mas com certeza o Jorge tem.
— Além disso, quem disse que eu não tenho provas?
— Você não deveria esquecer que a Vila das Rosas é a casa onde eu e o Felipe morávamos casados, o lugar onde vivi durante seis anos inteiros.
— Você é muito corajosa, não é? Queria dar uma de promíscua, mas por que não foi para um hotel? Tinha mesmo que ir até a casa de outra pessoa e deitar na cama de casal do quarto principal?
— Queria sentir emoção, é isso? Senhorita Vargas, eu acredito que o vídeo que tenho em mãos fará com que você sinta emoções ainda mais intensas.
— Fique no aguardo, vou ali pedir o número do seu pai para o Jorge e, então, vou mandar o vídeo para ele dar a opinião dele.
Laís terminou a frase com um ritmo lento e metódico.
Do outro lado da linha, Zoraida ficou paralisada por completo no mesmo instante, o sorriso arrogante congelando em seu rosto.
Passaram-se uns bons sete ou oito segundos até que ela caísse em si e compreendesse o peso das palavras de Laís.
Sua voz mudou de timbre em um piscar de olhos:
— Laís, você... você instalou câmeras escondidas dentro da própria casa?
— Sua pervertida! Como você pôde pôr câmeras escondidas dentro de casa? Você... Eu não acredito, a não ser que você me prove que tem! Caso contrário, nem pense em me assustar!
O rosto de Zoraida se tingiu de uma palidez doentia, enquanto seu corpo inteiro tremia como vara verde.
Apesar disso, a maldita mulher conseguira manter uma postura fria, e, pior ainda, não ligara para Felipe tirando satisfação e continuava demonstrando tamanha calma.
Ela devia ter algum motivo. Uma racionalidade daquelas só poderia esconder alguma intenção secreta.
Zoraida lutava para recuperar a compostura; não permitiria jamais que fosse derrotada por uma zé-ninguém como Laís.
— Diga logo, Laís. O que você quer de mim?
Ela disse em voz baixa e gélida, e sua resposta carregava certa firmeza.
Até que o cérebro dela funcionava bem rápido; de fato, não deixava de ser um pouco mais esperta que Sofia e Melissa.
Laís pontuou:
— Aquele seu projeto Classe S de turismo cultural... Cancele a parceria com o Felipe e feche contrato com a Rio Grande.
O tom usado não deixava espaço para negociação ou sugestões. Era uma ordem pura e simples.

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