— Se eu perder essa chance de colaborar com a família Vargas, posso ser deposto pelos acionistas, perder o meu cargo de CEO, e o Grupo Vasconcelos ficará em apuros.
— Ah, e daí? — desdenhou ela.
Laís se mostrava indiferente.
Felipe olhou rapidamente para os lados e baixou a voz de repente:
— Vou te dizer a verdade: a maior parte do dinheiro que o Grupo Vasconcelos tem pego emprestado no banco, recentemente, foi assinada em meu nome pessoal durante o nosso casamento. Se eu cair ou se houver uma liquidação por falência do Grupo Vasconcelos, segundo a lei, essas dívidas passam a ser do casal.
As pupilas de Laís se contraíram instantaneamente, e seu coração pareceu ser apertado brutalmente por uma mão invisível.
Rapidamente, ela pegou uma xícara, serviu-se de café quente, tomou um gole e esforçou-se intensamente para suprimir a onda de emoções que crescia em seu peito.
— Quanto você deve ao banco até agora?
— Quase... dois bilhões.
Laís ergueu lentamente o olhar e, sem aviso, atirou todo o café quente da xícara diretamente no rosto dele.
Sua expressão era de um gelo absoluto.
Para ser mais precisa, naquele exato momento, era como se o seu corpo inteiro tivesse despencado em um abismo de gelo.
Tendo vivido com Felipe por tantos anos, ela conhecia bem o patrimônio dele.
Ainda que a família Vasconcelos estivesse atolada em um escândalo atrás do outro recentemente, que Felipe, de dono de um império bilionário, despencasse de uma hora para a outra a um endividado de dois bilhões... Uma mentira dessas ela jamais engoliria.
A única explicação possível era que ele, desde a época do casamento, havia arquitetado uma barreira para proteger os próprios bens.
E, depois que ela pediu o divórcio, ele, sem dúvida alguma, adulterou os registros. Manipulando o sistema financeiro, transformou seu saldo positivo em um gigantesco número negativo.
Uma fúria incontrolável começou a fervilhar, chocando-se contra as paredes de seu peito.
Ao pensar que no passado vira o casamento como um porto seguro, enquanto Felipe, desde o primeiro dia, só a enxergava como um escudo descartável, pronto para ser sacrificado a qualquer momento.
— Se você não roubar esse negócio com a família Vargas, e me permitir estabilizar a situação, prometo que quitarei tudo em menos de um ano. E não terei problema em lucrar outros dois bilhões em cima disso. Você sabe perfeitamente da minha capacidade.
— Laís, eu sei que na sua cabeça a culpa é totalmente minha. Mas durante todo esse tempo, lutei com tudo que podia, e você sequer me deu uma chance. Eu só queria te amar direito e viver bem ao seu lado, mas você sabe muito bem a crueldade de tudo que me fez passar.
Seus olhos exibiam um afeto desolado e fragmentado, e aquela encenação de amor sincero apenas fez com que Laís sentisse vontade de vomitar.
Ela não suportava desperdiçar sequer mais uma sílaba com ele, e o encarou friamente:
— Por mais cruel que eu tenha sido, não chega a metade da crueldade que você e a sua família tiveram comigo.
— Felipe, se eu soubesse desde o início que o amor acabaria me desfigurando por completo, jamais teria tentado.
— Meu maior arrependimento na vida foi ter cruzado o seu caminho.
Ditas as palavras, ela deu meia-volta e dirigiu-se à saída.
Instintivamente, Felipe tentou ir atrás, mas, naquele instante, uma mão robusta bloqueou a sua passagem. O paredão humano que brotou à sua frente cortou a sua visão...

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