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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 585

Laís piscou, surpresa, mas logo ergueu os cantos dos lábios, provocando-o com um sorriso:

— Você é o segundo melhor irmão do mundo!

A voz de Severino soou novamente, exalando calma com um toque de diversão:

— O Jorge se esforçou por tanto tempo e até agora ainda é apenas um irmão?

Aquelas palavras fizeram o coração de Laís dar um leve salto. Sentindo-se um tanto sem graça, murmurou:

— Se não for irmão, o que mais ele seria?

Jorge apenas sorriu em silêncio, dando de ombros para o vídeo e comentando com um ar cheio de segundas intenções:

— O caldo deve ferver em fogo brando. Quanto mais tempo no fogo, mais saboroso fica. Não tenho pressa.

A risada de Severino ecoou pelo telefone:

— Só não deixe fervendo por muito tempo, ou o caldo vai secar e queimar.

Percebendo as entrelinhas nas palavras dos dois, Laís sentiu o seu coração acelerar involuntariamente:

— Sobre o que vocês dois estão falando? Não estou entendendo nada.

— Estou apenas lembrando a certas pessoas de acelerarem o passo, para que a oportunidade não lhes escape por entre os dedos, deixando-os apenas com o arrependimento.

Jorge umedeceu os lábios: — Certo, mensagem recebida. Obrigado pelo conselho, meu cunhado querido.

Embora fosse um gracejo, a intenção era inegavelmente clara. Se Laís ainda não tivesse percebido, seria muito inocente.

O seu rosto corou violentamente em um piscar de olhos, dominada pelo constrangimento:

— Vocês... Parem de zombar de mim! Irmão, como você consegue ser tão sem modos? Francamente...

A risada de Severino tornou-se mais leve, o seu rosto, normalmente frio e melancólico, agora irradiava um brilho caloroso que não se via há tempos:

— O acidente de carro do Gustavo me deixou extremamente inquieta. Se este desastre foi de fato orquestrado contra mim, e a minha existência causou danos a tantos veículos e machucou tantas pessoas inocentes, isso me corrói por dentro.

Ao concluir as palavras, os olhos de Laís ficaram avermelhados de emoção.

Quando foi visitar Gustavo, também passou para ver os outros feridos do engavetamento. A mais nova era uma criança de apenas três anos; a testa dela havia batido no para-brisa, criando um inchaço imenso que rasgou o coração de Laís em pedaços.

Havia também mais de uma dúzia de outras vítimas recebendo atendimento médico no hospital. O caso mais grave, inclusive, já tinha sido encaminhado para a UTI.

Quanto às causas da tragédia, a Polícia Rodoviária concluiu que a picape que atingiu a traseira do carro de Gustavo estava em altíssima velocidade, e o estado crítico das pastilhas de freio causou uma falha fatal.

A julgar apenas pelas investigações até aquele momento, não havia indícios de sabotagem ou ato criminoso premeditado.

No entanto, a ligação sinistra que Laís havia recebido provocava arrepios em sua espinha.

Ela não fazia ideia de quem era o sujeito do outro lado da linha, mas os seus instintos lhe alertavam de que se tratava de um homem extremamente covarde e cruel, que, sem sombra de dúvida, armaria novos golpes.

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