As palavras de Jorge foram subitamente interrompidas.
Ele aguçou os ouvidos. Parecia haver alguém na porta manifestando insatisfação e protestando contra o fato do Restaurante Giratório ter sido reservado por completo.
Assim, levantou-se e disse a Laís:
— Espere por mim aqui. Vou lá dar uma olhada.
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Na entrada do Restaurante Giratório.
Felipe Vasconcelos vestia um terno de alta-costura da marca Valentino, desenhado especialmente para desfiles de moda. Ao seu lado, erguia-se Sofia Ramos, coberta de joias até os dentes e trajando um vestido preto de alças finas ao estilo Audrey Hepburn.
O fato de ter recebido o menor quarto no hotel fez Felipe sentir a sua dignidade como ser humano profundamente aviltada.
Portanto, naquela noite, ele planejava gastar generosamente no Restaurante Giratório, tido como o estabelecimento mais luxuoso e de melhor vista de todo o País A.
Ele desejava provar a todos, da maneira mais crua e incontestável possível, que era um magnata do mercado imobiliário do Brasil com farto poder econômico e não um mero covarde dócil, à mercê dos caprichos alheios.
No entanto, para sua surpresa, fracassou mais uma vez em sua tentativa. Mesmo com o cartão VIP do restaurante nas mãos, com a liberdade de gastar ali a qualquer hora que quisesse, um garçom o alertou de que todo o lugar havia sido reservado e que nenhum outro cliente poderia entrar naquela noite.
Naquele momento, o rosto de Felipe ficou completamente lívido de raiva.
Aquela viagem ao País A havia se tornado o mais ultrajante e abissal infortúnio que já sofrera, superando de longe qualquer viagem do passado, onde sempre havia usufruído do conforto e do melhor tratamento possível. Sem exceções.
Descrente de toda aquela provação, Felipe atirou o cartão VIP da carteira violentamente sobre o balcão do hall de entrada, furioso. Ele os interpelou em um idioma estrangeiro com fluência impecável:
— Então deixem-me perguntar uma coisa: este cartão VIP que vocês dão aos seus clientes não serve para absolutamente nada?
— Quando emiti o cartão, o gerente de vocês me garantiu que, de posse disto, eu poderia aproveitar de toda a sofisticação dos serviços e do tratamento mais prioritário de que o lugar dispunha, independentemente do horário em que o restaurante estivesse aberto. Mas agora você está me informando de que eu não mereço essa hospedagem?
— Vá chamar o seu estimado cliente. Não me importa quem fechou o restaurante esta noite, mande-o desocupar o lugar imediatamente. Ele pode cobrar o preço que quiser.
O tom de Felipe era de grande arrogância. Ele estava vestido da cabeça aos pés com marcas caras e, num primeiro olhar, parecia ser uma figura incrivelmente rica ou poderosa.
O gerente não conseguiu decifrar de imediato quem ele era. Instintivamente, olhou para o estimado hóspede jantando no interior do restaurante e seu rosto demonstrou hesitação.
Naquele instante, o som de passos firmes e ressoantes ecoou atrás dele.
— Felipe Vasconcelos, o que você acha que está fazendo?
Ao mesmo tempo, a voz calma e gélida de Jorge Andrade soou. Num piscar de olhos, ele se colocou frente a frente com Felipe.
Em comparação com a grandiosidade excessiva das roupas de Felipe e Sofia, Jorge, vestido apenas com roupas casuais pretas e sem sequer usar um relógio, parecia bastante modesto.

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