Ao mesmo tempo, ele lançou um olhar reprovador para Jorge, como se lamentasse sua falta de atitude.
Laís olhou para a expressão implacável de seu próprio irmão, cujo rosto dizia claramente "já bloqueei todas as rotas de fuga, vocês vão ter que se casar de qualquer jeito", e respirou fundo.
Ela se virou para Jorge e notou que o olhar do homem em sua direção era devoto e cheio de expectativa; era evidente o anseio profundo em seus olhos.
Tudo parecia fazer sentido na superfície, mas, pensando bem, algo exalava um ar muito suspeito.
A mente de Laís trabalhou rápido. Apertou os olhos de imediato e, com um tom investigativo, perguntou:
— Jorge, seja sincero comigo. De quem foi essa ideia? Sua ou do meu irmão?
Como era de se esperar, nada escapava aos olhos de Laís.
Jorge encontrou o olhar dela com franqueza:
— Nós tivemos a mesma ideia simultaneamente. Nós dois pensamos nisso juntos.
Ele fez uma pausa e acrescentou, com a voz um pouco mais baixa:
— Seu irmão só consegue ficar tranquilo se a entregar a mim.
Severino acrescentou:
— Todos nós saímos ganhando com isso. Nos tornaremos um consórcio de interesses, e ninguém sairá no prejuízo.
— ... — Laís emudeceu.
Agora, ela finalmente havia entendido tudo.
Esses dois estavam encenando os papéis de policial bom e policial mau. Na realidade, o roteiro já havia sido escrito há tempos; só faltava ela concordar.
Laís curvou levemente os lábios:
— Deixem-me pensar primeiro. Mas, já que é um casamento por contrato, não deveria haver um contrato antes de tudo?
Jorge detectou a ponta de esperança naquilo, e os cantos de sua boca se ergueram quase imperceptivelmente:
— Isso é fácil de resolver. Assim que voltarmos ao Brasil, pedirei para o Guilherme Cardoso redigir o contrato. Você pode apresentar todas as suas exigências de uma vez só.
— Em suma, prefiro arcar com todo o prejuízo a permitir que você saia perdendo.
— Se deixar minha irmã na desvantagem, pode se preparar para perder a cabeça. — disparou Severino.
Jorge sorriu de leve:
— Pode ficar absolutamente tranquilo.
Laís franziu o cenho em profunda reflexão e olhou para Severino:
Após seu assistente confirmar que o corredor estava deserto, ele pediu que alguém carregasse uma mala cheia de especialidades locais e desapareceu mais uma vez.
Restaram apenas Laís e Jorge no quarto. O ar tornou-se peculiarmente silencioso.
Laís ainda estava um pouco atordoada, mas todas aquelas pequenas atitudes dele que ela não conseguia decifrar, agora faziam total sentido.
— Jorge, não é à toa que achei você tão estranho nestes últimos dias. Então era este o plano que você e meu irmão escondiam.
Jorge apertou os lábios. Olhando para Laís, sua voz soou mais grave:
— Laís, não é apenas por isso. O principal motivo é que a minha avó adoeceu gravemente. Eu quero muito realizar o seu último desejo antes de sua partida.
Pega de surpresa por essa notícia, Laís ficou atônita.
— Sua avó? Você quer dizer a Professora Débora? — Laís pulou da cadeira num piscar de olhos. — O que aconteceu com a Professora Débora? Que doença ela tem? Como ela pode estar doente?
Laís simplesmente não conseguia acreditar naquilo.
Aquela mulher, que em sua memória estava sempre ativa, incansavelmente enérgica e transbordando vitalidade, havia adoecido subitamente.
Afinal, não fazia muito tempo desde a última vez que se viram, e ela parecia perfeitamente saudável.
— Talvez pelos anos que dedicou à preservação de construções antigas, minha avó tenha inalado certos gases ou substâncias nocivas.

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