Laís mal conseguia parar em pé; seu corpo inteiro não parava de tremer.
Incapaz de se conter, ela ergueu a mão mais uma vez e desferiu outro tapa impiedoso no outro lado do rosto de Felipe!
Felipe não se esquivou, recebendo o tapa em cheio.
O olhar que ele direcionou a Laís tornou-se gélido de repente, extremamente duro:
— Laís, eu já expliquei tudo, e você ainda quer me bater?
— Então, você consegue tolerar os erros de qualquer pessoa, mas não tem a menor capacidade de me perdoar, é isso? — disse ele, com a fúria acendendo-se num instante em seu coração.
— Eu não consigo, e nunca vou te perdoar em toda a minha vida.
— Suma daqui, Felipe! Nunca mais apareça na minha frente.
O estado emocional de Laís entrou em choque; seu estômago revirou, e um intenso nojo físico fez com que ela sentisse uma vontade incontrolável de vomitar.
Ela correu para o banheiro, abraçou o vaso sanitário e vomitou até não aguentar mais.
— Chega, Felipe.
— Saia logo daqui, não pressione mais a Laís. Ela já está completamente sufocada.
Depois de falar, Jorge massageou a cabeça dolorida, forçou-se a levantar e caminhou até a porta, abrindo-a de uma vez.
Zoraida Vargas estava com o ouvido colado na porta, concentrando-se ao máximo para ouvir.
Ela ouvia vagamente sons de discussão vindos de dentro, mas infelizmente o isolamento acústico do hotel era bom demais. Por mais que ela apertasse o ouvido contra a porta, não conseguia entender absolutamente nada do que estavam conversando.
Jorge abriu a porta de supetão.
Zoraida perdeu o equilíbrio e caiu estatelada no chão.
Ela levantou-se desajeitadamente, firmou os pés de pressa, arrumou a saia amassada e, ao erguer os olhos, viu, perplexa, Felipe sair com o rosto fechado.
Havia marcas vermelhas de tapas em ambos os lados do seu rosto.
Ao ver aquela cena, Zoraida arregalou os olhos, sua pressão subindo instantaneamente:
— Laís, me desculpe...
Embora claramente não fosse culpa dele, naquele momento ele sentiu como se fosse o maior pecador do mundo.
Ele só queria pregar uma peça em Felipe, mas, como consequência, acabou trazendo à tona, de forma não intencional, aquele passado, fazendo com que a ideia de que "não valia a pena" fosse gravada de forma ainda mais profunda e sangrenta no fundo da alma de Laís.
Tudo começara, desde o início, com intenções impuras.
Mas ela fora ingênua o suficiente para acreditar que era amor, acreditar que era o destino, dedicando-se de corpo e alma, apenas para chegar ao fim da linha e, finalmente, acordar.
A dor no coração dela devia ser incomensurável.
Pensando nisso, Jorge não conseguiu evitar abraçá-la ainda mais forte.
Ele desejava mais do que tudo poder criar penas por todo o seu corpo para envolver por completo a machucada Laís, dando o seu máximo para oferecer a ela todo o calor necessário para dissipar o frio glacial das profundezas de seu coração.
Porém, ele não podia fazer nada. A angústia que sentia por ela era indescritível...

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