Com os dentes trincados, Felipe forçou aqueles números a saírem.
Num átimo, o salão transformou-se em um mar de euforia e cochichos!
Noventa e nove milhões, oitocentos e noventa mil!
Naquele momento, Zoraida sentiu o pânico aflorar; num gesto automático, ela puxou as mangas do terno dele e não conseguiu evitar um cochicho ansioso:
— Felipe, você... você não ofereceu um valor alto demais?
— Isso está ridiculamente acima do que o colar vale de verdade. E se a Laís não cobrir o seu lance...?
Só então Felipe pareceu despertar de seu transe; uma camada fina de suor frio já despontava em sua testa.
Ele finalmente percebeu que todos os saldos de seus cartões juntos jamais somariam noventa e nove milhões, novecentos e noventa e nove mil em dinheiro vivo.
O desespero o engoliu de imediato.
Nesse meio-tempo, os olhares de todos os presentes fixavam-se em Laís.
E ninguém estava mais ansioso do que Felipe para ouvir novamente, às suas costas, o som daquela voz fria e familiar.
Mas, contra as suas expectativas, foi justamente nessa hora que Laís abaixou suavemente a placa que segurava.
O apresentador repetiu o lance por três vezes seguidas e, quando o martelo bateu, o resultado tornou-se irredutível.
O corpo inteiro de Felipe estremeceu, como se atingido por um raio.
Só ali é que percebeu com dureza: fora feito de bobo outra vez.
Desde o princípio, Laís não tivera a menor intenção de comprar o colar de verdade.
Ela inflacionara o preço só para vê-lo transformar-se no piadista da noite.
Com o seu destino selado, Felipe desabou sobre a poltrona, pálido, com o suor frio ensopando a pele.
Zoraida, pelo contrário, irradiava alegria; repentinamente, Felipe inclinou-se até seu ouvido e sussurrou:
— Zoraida, você tem uns cinquenta milhões na sua conta?
Custando a crer no que ouvira, Zoraida virou-se para encará-lo:
— Você... está sem dinheiro?
A animação que antes lhe coloria o rosto murchou em um instante; todo aquele êxtase despencou pelas tabelas.
Obviamente, o orgulho de Felipe o impedia de assumir que estava de bolsos vazios.
Se fosse pelo gênio que ela normalmente ostentava, teria mandado tudo pelos ares no mesmo segundo e ido embora batendo os pés.
Mas se tomasse essa atitude radical, a frieza de Felipe para com ela só aumentaria nos dias por vir.
Afinal, ele ainda estaria desembolsando quarenta e nove milhões e novecentos e noventa e nove mil por aquele colar de quase cem milhões... Pensando bem, já era um valor exorbitante.
A verdadeira culpada era Laís, com o seu joguinho para inflar o preço. Não havia motivos para jogar a culpa nas costas de Felipe.
Eles mal tinham estabilizado o relacionamento; esperar que ele gastasse um montante assim de estalo para comprar o colar também era um exagero.
Consolando a si própria, Zoraida mordeu os lábios e espremeu um sorriso forçado:
— Certo. Eu coloco cinquenta milhões, e você entra com o resto.
Um alívio colossal tomou o coração de Felipe ao ouvi-la...
Percebendo que Laís e Jorge já haviam deixado o salão, ele ergueu-se de seu lugar.
No momento em que ia apressar os passos para segui-los, um rapaz vestido de terno atravessou em seu caminho. Estendendo o braço, ele fez um gesto convidativo e disse:
— Diretor Vasconcelos, não é? Por aqui, por favor. O nosso Diretor Xavier deseja vê-lo.

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