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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 826

Todos aqueles itens haviam sido transferidos gradualmente do País A para lá, sendo armazenados temporariamente na mansão.

No escritório, havia uma pequena área de chá, abastecida com uma seleção requintada de chás particulares, que Jorge pedira à sua mãe para trazer.

Após se sentar, Jorge preparou um bule de chá. Tendo notado que Laís tossira algumas vezes pela manhã, ele fez questão de adicionar um pouco de casca de laranja seca à infusão.

Laís sentou-se à frente dele, organizando as palavras em sua mente. Ela não sabia como se expressar de forma a expor seus pensamentos sem ferir o orgulho de Jorge.

Jorge esperou um pouco e, vendo que ela permanecia em silêncio, tomou a iniciativa de falar, com uma voz límpida e suave:

— Já que você não diz nada, que tal eu tentar adivinhar o que você quer falar?

— ...

— Você vai me dizer, de novo, que seu coração ainda não está preparado para embarcar em um relacionamento comigo?

Jorge olhava fixamente nos olhos de Laís, tentando decifrar seus pensamentos pouco a pouco.

O coração de Laís deu um pulo. Ela ergueu o olhar bruscamente, com uma expressão de total incredulidade, e deixou escapar:

— Como você sabe?

Um sorriso surgiu no olhar de Jorge.

— E então, quando você ouviu a Aline me chamar de papai, isso deixou o seu coração uma confusão, cheio de conflitos.

Laís ficou sem palavras.

Ele parecia ler sua mente. Como conseguia entendê-la tão bem?

Laís ficou completamente pasma. Com os olhos arregalados para Jorge, sentiu que, se não falasse algo rápido, ele acabaria assumindo o controle da conversa de novo.

Então, apressou-se em dizer:

Totalmente atônita, a mente de Laís mal conseguia processar a situação:

— Você... você não disse que nunca teve um relacionamento sério? Como é que você consegue me entender tão bem?

O olhar de Jorge manteve-se cravado no dela, e o rosto dele aproximou-se cada vez mais, a ponto de a ponta do seu nariz quase roçar na dela.

O ritmo da sua respiração tocava o rosto de Laís, trazendo consigo um aroma suave de chá preto. Com um olhar fixo e penetrante e um meio-sorriso enigmático nos lábios, ele murmurou:

— Porque, desde o dia em que te conheci até agora, não parei de te estudar.

— Eu analisei você da mesma forma que me dedico a cada um dos meus projetos de design. Mergulhei a fundo, prestei atenção a cada detalhe. Cada pequeno gesto, cada atitude e cada pensamento seu tornaram-se as estruturas e os alicerces cravados na minha mente.

Sua voz tornou-se ainda mais grave, carregando uma corrente elétrica poderosa que atravessou o coração de Laís em um instante:

— Então me diga... como eu não seria capaz de te entender tão bem?

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