Laís já não se surpreendia mais com os comentários diretos e ousados de Clara Campos.
Ela percebia cada vez mais que a personalidade de Clara, depois de se despir daquela fachada gentil e intelectual, era, no íntimo, quase idêntica à de sua mãe, Lídia Lima.
Laís encolheu os ombros, sem graça, e por um instante não soube o que dizer.
Clara ergueu levemente as sobrancelhas:
— Vou deixar essa missão com você. Descubra para mim se o meu filho é ou não um homem de verdade.
— ... — Laís ficou em silêncio.
— ... — Jorge também ficou em silêncio.
Ele não conseguiu mais se conter; abriu os olhos e, apoiando-se, forçou o corpo a se sentar:
— Mãe, quem a senhora disse que não é um homem de verdade?
— Ah, você acordou!
Clara cobriu a boca, surpresa e apressada, e logo depois, sem hesitar, correu na direção de Jorge.
Com um sorriso que fazia seus olhos se curvarem, ela o abraçou apertado:
— Filho, que bom que acordou! Você ficou dias inteiros com febre alta sem abrir os olhos, e eu e Laís ficamos desesperadas de preocupação.
— E você também, hein? Como teve tanta coragem de se atracar sozinho no corpo a corpo com um grande traficante como o Sandro Ramos? Ficou louco?
— E se ele tivesse machucado você? E se...
Clara segurava Jorge firmemente, murmurando sem parar.
Ela só conseguia pensar em sua própria agitação, e aquela alegria genuína quase transbordava em palavras.
Desde pequeno, seu filho sempre havia sido obediente e sensato, um excelente aluno de conduta impecável. Destacava-se em tudo e nunca havia feito nada arriscado, fora dos limites ou que a fizesse se preocupar.
Era a primeira vez que ela ouvia falar de algo tão assustador, por isso estava muito emocionada.
Antes que Jorge pudesse responder, seu pescoço foi firmemente apertado por Clara.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís