— Vá embora, Felipe.
— Eu e você seguimos caminhos separados há muito tempo; não me procure mais. Eu não quero dizer nem mais uma palavra para você.
Laís virou-se e começou a se afastar.
Felipe ficou atrás dela, de punhos cerrados. Com os olhos fixos em suas costas, a voz grave e rouca:
— Laís, você não acha que as suas ações de agora estão passando um pouco dos limites?
— Não ache que eu não sei, tudo isso é uma armadilha, algo que você e o Jorge criaram juntos!
— Você colocou alvos na minha mãe e na minha irmã; agora encurralou Sofia, e qual é o próximo passo? Chegou a minha vez?
— Diga, o que vai fazer comigo, com o Grupo Vasconcelos. Fale, para que eu pelo menos saiba a razão por que vou morrer!
Felipe gritou alto para as costas de Laís.
Ao ouvir isso, Laís parou os passos. Virou-se lentamente e olhou com calma para Felipe:
— Estás enganado, Felipe.
— Do início ao fim, nunca quis atacar ninguém. A tua mãe, a tua irmã e Sofia... se elas chegaram onde chegaram e destruíram todo o caminho por trás delas, o problema foi delas, na forma como se comportam, não se tratou de uma artimanha feita por mim.
— Quanto a você e ao Grupo Vasconcelos, até onde sei, eu não te ataquei mortalmente, portanto, se no futuro, falhares, isso se deverá puramente a você e não tem a ver comigo.
Felipe riu zombando de si mesmo, não sabia o que mais poderia dizer.
Ele observava calmamente as costas de Laís, cada vez sentindo mais que, a mulher que antes se curvava para ele submissamente até o chão, transformara-se de repente num mistério imprevisível e inacessível.
A sua certeza em ter ganhado parecia demonstrar que mantinha tudo na palma das suas mãos.
Mas será que ela não conseguia se dar conta de que o fato de conseguir tudo aquilo foi devido à sua indulgência passada e ao seu coração mole?
Assim que tomasse a decisão de endurecer, tornar-se frio, ela continuaria tão arrogante e cheia de confiança para dizer essas coisas para ele?
Ela pretendia casar-se tão rápido, assinar os papéis com Jorge.
Será que ela achava de verdade que ninguém neste mundo queria casar com ele?
Já que ela fizera a primeira manobra, ele faria a próxima... Casar no papel, era isso? Se ela ousava ir, ele também!

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