No dia seguinte, as notícias da manhã na televisão de Marbella começaram com um boletim de urgência:
— Dois grandes incêndios destruíram propriedades de alto padrão na nossa cidade durante a madrugada. O corpo de bombeiros agiu rapidamente, contendo e apagando as chamas. Felizmente, não houve feridos, mas a investigação sobre as causas continua em andamento. Estima-se que as perdas financeiras passem de dezenas de milhões de reais em ambas as propriedades...
Desde cedo, o celular de Laís não parava de tocar, recebendo ligações como se estivesse sob um bombardeio.
Só pela frequência implacável com que Felipe tentava contatá-la, ela conseguia visualizá-lo fervendo de raiva e esbravejando sem controle.
Um sorriso zombeteiro e desdenhoso desenhou-se no rosto de Laís, não havia a menor intenção de atender.
Ela foi até a cozinha para embalar o ensopado que a cozinheira havia preparado para Carla e saiu de casa, carregando as vasilhas, sob a proteção dos seus novos guarda-costas.
Astor já havia sugerido a designação de uma escolta antes, mas ela recusara, achando excessivo.
Contudo, depois da quase tentativa de sequestro arquitetada por Felipe, ela escolheu, sem reclamar, dois seguranças à paisana para acompanhá-la em todos os lugares, só por garantia.
Afinal, a sua lista de inimigos estava crescendo rapidamente.
Laís levou a comida para o hospital.
Para sua surpresa, lá estava Felipe com uma expressão sombria plantado na entrada do quarto VIP. Claramente, ele a aguardava há bastante tempo.
Ao se deparar com ele, Laís instintivamente tentou desviar o caminho, olhando através dele como se fosse invisível.
Felipe franziu a testa e segurou-lhe o pulso com força:
— Laís! Você não tem nada a me dizer?
Laís deu um pequeno riso sarcástico:
— Felipe, não é de hoje que não temos mais nada a conversar. Você poderia parar de me fazer essas perguntas idiotas a cada cinco minutos?
Ela já estava sentindo uma aversão física à sua presença.
A intensidade do amor e carinho que tivera por ele no passado... se transformara em um profundo desprezo.
As narinas de Felipe tremiam com a raiva:
— Aqueles incêndios na casa da família Ramos e na Vila das Rosas... foi você quem mandou, não foi? Se você continuar com essa loucura, não terei como te encobrir! Venha comigo agora!
Terminando de falar, tentou arrastá-la consigo.
Desta vez, no entanto, Laís não se submeteu. Com um simples olhar dela, os dois seguranças avançaram imediatamente.
Antes que Felipe pudesse reagir, o seu corpo avantajado foi brutalmente atirado ao chão pelos agentes à paisana.
Laís não os escolhera à toa, eram ex-companheiros de batalhão de Astor, veteranos de guerra e excepcionalmente habilidosos.
Acostumado à adoração e ao poder, Felipe jamais enfrentara tamanho desrespeito e humilhação.
O soco fê-lo ver estrelas. Quando a sua visão clareou, os guarda-costas já tinham desaparecido.
O corredor vazio foi varrido por um vento frio e desolador.
Cobrindo o olho machucado e o rosto inchado com a mão, Felipe tremia de ódio cego, os nós dos dedos estalando pela força de seus punhos cerrados.
O seu celular tocou. Era Patrícia, exigindo que ele voltasse depressa à Vila das Rosas, pois a polícia dissera ter encontrado pistas sobre a causa do incêndio.
A grandiosa propriedade havia sido reduzida a escombros e cinzas. As obras de arte e as antiguidades inestimáveis, a mobília de altíssimo valor importada, a requintada decoração escolhida com tanto esmero... Felipe mal podia pensar no prejuízo sem sentir uma dor física no estômago.
E o fato de a casa não estar coberta por seguro tornava a situação ainda mais crítica. Aquele pensamento fez o seu coração quase parar de raiva.
Felipe correu apressado para o local.
O que antes fora o seu lar aconchegante, agora era apenas um monte de destroços chamuscados.
O cheiro amargo de fumaça e madeira queimada podia ser sentido de muito longe.
Os bombeiros já haviam controlado as últimas brasas e deixado o local. Agora, um grupo de policiais e peritos inspecionava as ruínas da propriedade.

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