Depois de dizer isso, ela se virou para ir embora.
— Helena — Henrique a chamou de repente, em um tom nivelado —, case comigo.
Por um instante, Helena achou que estava com problemas de audição.
Ela virou a cabeça para olhar para Henrique.
O rosto por trás dos óculos dourados era impecavelmente bonito, com sobrancelhas bem desenhadas e nariz reto. Mas o olhar continuava frio, sem demonstrar nenhuma mudança de emoção em relação a antes.
— Você não é exatamente uma Mendes. Não tem apoio na família, não tem ações, posição e muito menos voz ativa.
Henrique continuou, com um tom de quem apresenta fatos no tribunal: — Nos círculos de casamento que realmente importam na Zona Norte, ninguém vai considerar você. Casar comigo é a sua melhor opção, você deve saber disso.
Helena suspirou aliviada.
O problema não era na audição dela, era na cabeça de Henrique.
Ele a olhava de cima, com uma atitude superior, listando de forma arrogante as diferenças e deficiências entre eles.
"Case comigo" em vez de "Vamos nos casar".
Embora soubesse que tudo o que Henrique dizia era verdade, e até um pouco contido, ter isso jogado na sua cara de forma tão crua ainda fez Helena se sentir ofendida.
Ela se virou de frente para ele e falou pausadamente.
— Henrique, você não acha que está sendo um pouco presunçoso demais? Se o seu dinheiro, status e poder atuais podem fazer tudo o que você quer, por que você não levou a mulher com quem se importa para a família Barros? Eu...
Ela fez uma pausa e acabou engolindo a frase dura que ia dizer: — Eu nunca me casaria com você.
Henrique a avaliou diretamente. Segundos depois, um sorriso sutil e irritado surgiu em seus lábios: — Parece que perdi meu tempo, então.
Helena não olhou mais para ele e entrou direto no saguão do tribunal.
Ela tinha ido ao tribunal hoje para procurar algumas decisões judiciais sobre casos de contrabando de fósseis de antiguidades valiosas.


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