— Senhor, a Srta. Paixão ainda não acordou?
Samara hesitou por alguns segundos e perguntou com cautela.
Normalmente.
Os dois desciam juntos.
— Não mencione aquela coisinha ingrata. — Oziel franziu as sobrancelhas grossas. Seu rosto bonito e nobre estava coberto por uma camada de gelo, irritado, mas impotente.
Ah?
Coisinha ingrata?
O Sr. Andrade ousou xingar a Srta. Paixão?!
— Todos os dias sirvo do bom e do melhor, e ela só me dá dor de cabeça.
Oziel pegou um ovo e começou a descascá-lo sem pressa. Seus olhos profundos escureceram, e o tom era de reclamação abafada.
RC?
Que RC?
Ele a tratava tão bem assim?
Nem sabia como ele era, se era mais jovem que ele, mais bonito que ele?
Samara segurava a toalha, olhando fixamente para Oziel, com os olhos cheios de dúvidas.
O jeito do Sr. Andrade parecia o de um marido ressentido.
— Samara...
Oziel ficou mais deprimido quanto mais pensava. Levantou os olhos para Samara, que parecia mais deprimida que ele, e perguntou em voz baixa:
— Eu sou muito velho?
— Ah?
Samara levou um susto e observou o rosto do homem com atenção.
Falar que é velho, na verdade não é.
Tem apenas 27 anos.
Falar que é jovem... comparado com a Srta. Paixão, ele é nove anos mais velho, parece um pouco velho sim.
— Senhor, que bobagem é essa que está dizendo.
Samara era esperta e sorriu radiante:
— Um rapaz de vinte e poucos anos, onde que é velho? Meus velhos ossos é que são velhos.
— Se...
O movimento de Oziel descascando o ovo parou. Seus olhos negros olharam para Samara, com uma expressão grave:
— Se você fosse a Klébia, diante de duas pessoas igualmente ricas, mas uma jovem e a outra mais velha, quem você escolheria?
Samara prendeu a respiração, quase não conseguindo se recuperar.
Ambos ricos?
— Um pouco.
Klébia sentou-se em frente a Oziel, franzindo a testa levemente.
— Não dormi no seu braço ontem à noite?
— Sim.
Oziel colocou o ovo descascado no prato de Klébia, sentindo-se tão culpado que não ousou olhar nos olhos dela.
Ele nunca admitiria.
Que ontem à noite, por ouvi-la chamar o nome de outro homem durante o sono, ele ficou com tanta raiva que sentou na varanda tomando vento frio a noite toda.
— Ah.
Klébia respondeu com indiferença, pensando que talvez tivesse dormido de mal jeito.
— Klébia...
Oziel passou manteiga no pão dela e, quando estava prestes a falar, o celular de Klébia vibrou de repente.
— Espere.
Klébia interrompeu o que ele ia dizer, pegou o celular e começou a digitar freneticamente uma resposta.
Depois de responder, colocou o celular de lado.
Para o azar de Oziel, ele viu o contato do WhatsApp: RC.
Era ele de novo.

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