"Oi, eu sou a Amélia."
Ela falou, levantando levemente a mão e pressionando o peito de Gregório, tentando aumentar a distância entre eles.
A voz embriagada de Henrique soou no celular.
"Amor, sou eu, estou... Eu bebi demais, perdi o celular, vem me buscar."
Amélia franziu a testa, prestes a responder, quando o homem, que havia afrouxado a mão que a segurava, de repente apertou o braço e a puxou diretamente para si.
O nariz dela bateu no peito firme e forte dele, arrancando-lhe um gemido abafado.
"Você..."
Antes que ela pudesse terminar a frase de reprovação, no segundo seguinte o homem enterrou o rosto no pescoço dela.
Ele disse: "Não vai, eu quero dormir agora."
Amélia: "????"
Ela ainda não tinha reagido, e Henrique, do outro lado da linha, foi mais rápido do que ela.
"Amélia, onde você está? Quem é esse homem com você? Você..."
Amélia nem cogitava ir buscar Henrique, queria aproveitar a situação para alfinetá-lo, mas, naquele instante, o homem, que até então permanecia quieto com o rosto em seu pescoço, mordeu levemente sua pele.
"Ah..."
Amélia prendeu a respiração, sentindo um calafrio.
Do outro lado da linha, ao ouvir o som dela, Henrique primeiro ficou em silêncio por um instante, depois explodiu em fúria.
Mesmo pelo celular, era possível ouvir seus gritos agudos.
Amélia franziu ainda mais a testa, o barulho de Henrique a fazia ter dor de cabeça, e ela estava prestes a desligar a ligação.
Uma mão grande, de dedos longos e articulados, cobriu a dela, pegando o celular de sua palma e jogando-o pela janela do carro.
Amélia só conseguiu ver seu celular desenhar uma parábola perfeita diante dos seus olhos e então desaparecer no meio do trânsito.
"Srta. Lemos, o Diretor Silva parece ter dormido de tão bêbado. Ele bebeu muito no jantar, se continuar empurrando, acho que ele pode acabar vomitando. Se vomitar em cima da senhora, aí vai complicar."
Amélia imaginou a cena em sua cabeça e imediatamente parou de empurrar.
Só lhe restou deixar Gregório abraçá-la durante todo o trajeto.
A cabeça dele permaneceu na mesma posição, a respiração regular acariciava o pescoço dela, fazendo com que Amélia sentisse um formigamento incontrolável, obrigando-a a ficar imóvel o caminho todo.
Finalmente chegaram à residência de Gregório.
O motorista entrou com o carro na garagem.
Amélia achou que enfim estaria livre, mas o motorista virou-se para ela, com uma expressão embaraçada.
"Srta. Lemos, hoje o Diretor Silva bebeu demais e não tem ninguém para cuidar dele. O Mateus não está na Cidade Pérola, então poderia fazer o favor de ficar de olho nele esta noite?"
Amélia estava prestes a recusar, mas o motorista se apressou em acrescentar:
"No caminho de volta, ouvi o Diretor Silva dizer que queria levar a senhora com ele para a Cidade Sagrazul, mas ele não terminou a frase. E como ele está tão bêbado, amanhã certamente não vai lembrar de nada. Eu posso testemunhar a seu favor, tudo bem para a senhora?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Traição na Véspera do Casamento
Eu amo esse livro, estou ansiosa para ver, como Silvana vai pisar nessa formiga irritante da Beatriz!...