Finalmente, alguém capaz de lidar com Gregório havia aparecido, e Mateus sentiu uma alegria como se visse a luz do dia após longa escuridão.
Ele entrou no closet de Gregório, seguindo as instruções de Ofélia Neves, com a intenção de separar as roupas que Gregório usaria na sua saída do dia seguinte.
Vasculhou todo o closet, mas não encontrou o casaco de lã preto. De repente, uma lembrança lhe veio à mente, e ele sussurrou para Gregório:
"Primo, acho que aquele seu casaco de lã está com a Srta. Lemos."
Gregório franziu a testa.
Ao pensar no jeito espalhafatoso de Ofélia, que adorava fazer queixa aos pais e ao avô, ele já começou a sentir dor de cabeça.
Da última vez que desagradou Ofélia, ela logo foi falar mal dele para sua mãe, e isso lhe custou um mês inteiro de encontros arranjados.
"Peça para ela devolver."
Ao sair do apartamento enorme de Gregório, Amélia pegou o carro e voltou para a casa da avó.
No caminho, ligou para Helena, pedindo que ela tentasse novamente encontrar interessados em comprar as ações do Grupo Henrique.
Ela detinha 51% das ações do Grupo Henrique e vendê-las todas de uma vez não era nada fácil.
Nem todas as empresas tinham o poder e a ousadia do Grupo Silva.
Se dividisse as ações em partes menores para vender, a notícia logo se espalharia e Henrique certamente ficaria sabendo.
No momento, como estava com pressa para vender, o Grupo Silva era, na verdade, a melhor escolha.
Amélia entendia isso, mas a postura de Gregório a deixava confusa.
Restavam-lhe apenas dez dias.
Depois desse prazo, teria que voltar para Cidade Sagrazul.
Antes de desligar, Helena garantiu que pensaria em alguma solução.
Ao chegar ao quintal, Amélia jogou-se exausta na espreguiçadeira, arrependida por ter deixado o orgulho falar mais alto e ter voltado sem concluir o negócio.
Foi então que o telefone tocou — era uma chamada de Mateus.
Amélia olhou para o número desconhecido e recusou a ligação.
Alguns segundos depois, o telefone tocou novamente. Ela recusou de novo.
"Olá."
Mateus explicou o motivo da ligação e disse que poderia ir buscar o casaco pessoalmente.
Naquele dia, no hospital, eles haviam lhe ajudado. Amélia não poderia aceitar que tivessem o trabalho de buscar o casaco, então se prontificou a levá-lo ela mesma.
Talvez assim conseguisse uma nova oportunidade para conversar com Gregório sobre a venda das ações do Grupo Henrique.
Dessa vez, ela aguentaria o que fosse preciso!
Mateus respondeu: "Então agradeço pela gentileza, Srta. Lemos."
Amélia respondeu educada: "Na verdade, quem deve agradecer sou eu..."
Antes que terminasse a frase, a ligação foi encerrada. Amélia olhou para a tela do celular, atônita por alguns segundos.
Mateus também ficou confuso ao ver Gregório tomar-lhe o telefone e encerrar a chamada.
O outro abriu um aplicativo de jogos no celular, sem expressão no rosto, e comentou:
"Você demorou demais pra dizer o que tinha pra dizer."

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