Gregório percebeu que as sobrancelhas dela finalmente se relaxaram e, então, levantou a mão para segurar a mão delicada que ela havia pousado sobre sua gravata, prendendo seus dedos finos e delicados em sua palma.
"Assim também fica muito bonito."
"Não precisa ser tudo certinho para estar perfeito. Um pequeno defeito pode tornar tudo mais especial."
Ao ouvir isso, Amélia levantou os olhos para o homem à sua frente. Viu seu próprio reflexo nos olhos negros e profundos dele, e sentiu uma estranha pontada de emoção no peito.
Gregório se inclinou e depositou um beijo leve em seus lábios, depois afagou seus cabelos com carinho.
"Vou te esperar lá fora."
Amélia sentiu que o jeito de Gregório, cheio de afeto, parecia sobrepor-se à imagem do homem dos seus sonhos.
Por um instante, seus pensamentos ficaram suspensos no ar.
Gregório percebeu que ela não respondia e, então, se curvou um pouco para encará-la nos olhos.
"O que foi, quer que eu fique para ajudar?"
Enquanto falava, pegou a roupa de Amélia no cabideiro, um sorriso discreto brilhando no olhar alongado.
"Também não vejo problema…"
Amélia voltou a si rapidamente e tirou das mãos dele a roupa que iria vestir.
"Eu mesma posso me arrumar."
Gregório arqueou as sobrancelhas.
Amélia, apressada, empurrou-o gentilmente para fora do closet e fechou a porta atrás dele.
No instante em que a porta se fechou, Amélia respirou fundo, sentindo que, finalmente, seu coração voltava ao normal.
A influência de Gregório sobre ela era realmente muito forte.
Era difícil não desejar mais.
Amélia vestiu a roupa que Gregório havia preparado para ela e ficou por um bom tempo diante do espelho, observando a si mesma naquele conjunto vermelho.
A roupa caía perfeitamente em seu corpo, como se tivesse sido feita sob medida.
Antes, fora ela quem insistira pelo rompimento e, agora, se declarasse amor diante de Gregório — ou mesmo diante da Família Silva — acabaria parecendo sem valor.
Ela não podia deixar que a Família Silva a visse como uma piada.
Com a mente mais tranquila, Amélia abriu a porta e saiu.
Gregório ainda a esperava do lado de fora.
Desta vez, ele segurava um livrinho de registro civil nas mãos, batendo-o de leve na outra palma de forma distraída.
Ao vê-la sair, levantou os olhos para ela.
"Pensei que você fosse desistir e ficasse escondida no closet o dia inteiro, só para não assinar os papéis comigo."
Amélia mordeu de leve os lábios pintados e respondeu suavemente:
"Desculpa, estava me maquiando."
Ela também queria estar na sua melhor forma para tirar a foto do registro de casamento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Traição na Véspera do Casamento
Eu amo esse livro, estou ansiosa para ver, como Silvana vai pisar nessa formiga irritante da Beatriz!...