Ponto de vista de Ella.
Eu não pude evitar. Aquele maldito vínculo, aquela forma física perfeita dele — tudo fazia meu corpo reagir de maneiras que eu não queria, criando uma pulsação entre minhas pernas que eu não conseguia conter devido à forma como ele mantinha minhas coxas abertas.
Ele só precisava afastar o roupão, abrir o zíper da calça…
De repente, a porta se escancarou.
— Alfa, os primeiros convidados estão chegando para o banquete—
A voz de Gabriel foi cortada abruptamente quando ele viu nossa posição comprometedora. Ergui a cabeça a tempo de ver o rosto do Beta ficar vermelho como um pimentão, e ele rapidamente virou as costas para não olhar.
— Peço desculpas pela interrupção, mas os primeiros convidados estão chegando. Eles estarão à sua espera em breve.
O momento havia passado. Alexander se afastou com frieza, saiu da cama e vestiu a camisa de botões.
— Diga aos nossos convidados que desceremos em instantes.
Nós. Como se fôssemos um casal de verdade que estivesse prestes a fazer amor de verdade. Como se nada disso fosse uma piada de mau gosto.
Gabriel assentiu e saiu rapidamente. Sentei-me, apertando o roupão ao redor do corpo, tentei manter a expressão o mais neutra possível. Eu não conseguia dizer se Alexander sentira a mesma reação física que eu diante da nossa proximidade ou se ele estava apenas me manipulando, e decidi que era melhor não tentar descobrir.
— Vou me preparar. — Eu disse, levantando-me.
— Não precisa. — Alexander terminou de abotoar a camisa e caminhou até a porta, pegando seu paletó ao sair.
— Vou enviar alguém para lhe trazer um vestido. Já que você gostou tanto de usar minha suíte para se arrumar mais cedo.
Pisquei, mas assenti rigidamente.
Ele então segurou a maçaneta, mas hesitou, olhando por cima do ombro.
— Só pra constar, eu sei que você está mentindo. — Disse ele.
— Tente as táticas que quiser, mas eu não vou me divorciar de você.
E assim, ele se foi.
Fiquei sentada na beira da cama dele por alguns minutos, sentindo-me satisfeita por ter conseguido frustrá-lo por um momento, mas também um pouco decepcionada. Isso seria mais difícil do que eu pensava.
Um momento depois, houve uma batida suave na porta. Abri e encontrei a mesma criada de antes, segurando um vestido de seda vermelha nos braços.
— O Alfa pediu que eu trouxesse um vestido para a senhora, Luna. — Disse ela, fazendo uma mesura e estendendo-o para mim.
Peguei o vestido e o ergui, examinando-o. Era nada menos que dramático; o tecido de seda vermelha fluía e se ajustava perfeitamente à cintura. Tinha um decote profundo e as costas nuas, e as alças finas eram praticamente inexistentes.
Lembrei-me de ter comprado esse vestido logo que me casei com Alexander, pensando que ele iria querer que eu me vestisse de forma sexy, antes de perceber que esperavam que eu me vestisse de forma mais recatada, como a Luna decente da alcateia mais forte. Eu o tinha colocado no fundo do armário sem usá-lo uma única vez e o esqueci completamente.
Era o oposto exato do tipo de roupa que eu costumava usar… mas, já que eu ia morrer de qualquer jeito, por que não usar a porcaria do vestido?
…
Ponto de vista de Alexander.
Meus pais foram mortos há seis anos, deixando Ashclaw para mim, o filho de dezessete anos. E eu sabia que a morte deles não fora apenas um acidente.


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