O Maybach entrou pelos portões da mansão localizada na zona oeste da cidade.
O carro parou em frente ao prédio principal.
O mordomo, acompanhado de alguns empregados, já aguardava na porta. Ao ver Ziraldo descer do veículo, curvou-se respeitosamente.
No entanto, ao enxergarem claramente a mulher que Ziraldo praticamente obrigou a sair do carro logo atrás dele, todos ficaram paralisados de surpresa.
O mordomo arregalou os olhos, incapaz de esconder o choque em sua expressão.
Os empregados mais jovens até prenderam a respiração, trocaram olhares perplexos, com incredulidade nos olhos.
“Dona Ferro?”
Aquela Dona Ferro que já havia “falecido” há três anos?
Ziraldo ignorou completamente a reação petrificada dos presentes, segurou firme o pulso de Amara e a conduziu diretamente para dentro da mansão.
Amara foi obrigada a acompanhá-lo.
O mordomo falou: “Senhor…”
Ziraldo não parou nem olhou para trás, apenas ordenou: “Prepare uma ceia.”
“Sim, senhor.” O mordomo respondeu prontamente.
Ele acenou para que os outros empregados se dispersassem e dirigiu-se rapidamente à cozinha.
Na sala de jantar, a mesma mesa longa de sempre permanecia lá.
Ziraldo acomodou Amara em uma cadeira ao lado da principal, enquanto ele próprio sentou-se na cabeceira.
Amara logo se desvencilhou da mão dele e levantou-se, tentando sair.
Ziraldo segurou novamente o pulso dela.
Suplicou: “Amara, sente-se.”
“Faça-me companhia para comer alguma coisa.”
Logo, a ceia foi servida.
Havia pastéis de camarão, mini capeletes, mingau de milho e alguns acompanhamentos leves e refrescantes.
O mordomo permaneceu a certa distância, observando Ziraldo pegar os hashis, servir um pastel de camarão e colocá-lo no prato de Amara.
Embora Amara apenas olhasse friamente e não tocasse nos hashis, os olhos do mordomo se encheram de lágrimas, sem explicação.
Pela primeira vez… o senhor não estava apenas arrumando pratos para o vazio.
Desta vez, o senhor finalmente não estava alimentando o nada.
/
Ziraldo pegou uma colher e levou à boca um pouco do mingau.
Os grãos mornos deslizaram por sua garganta.
Três anos haviam se passado.
Era a primeira vez que ele realmente sentia o sabor da comida.
Não era uma deglutição mecânica apenas para manter-se vivo, mas sim algo verdadeiro, aquecido, e doce.
Simplesmente porque ela estava ali, bem à sua frente.
Ao alcance das mãos.
Ele ergueu o olhar, pousando-o intensamente sobre Amara, sem desviar nem por um instante.
Como se quisesse, com o olhar, preencher pouco a pouco o vazio daqueles três anos.


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