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A Última Luz do Nosso Lar romance Capítulo 28

Kesia fez um esforço para se lembrar.

Aquele perfil com a foto completamente preta parecia ser... Xavier.

Ele tinha mandado mensagem em um momento curioso, logo após ela entregar o trabalho hoje.

Kesia respondeu rapidamente.

[Kesia]: Certo, para onde devo levar?

A resposta veio instantaneamente.

[X]: Hospital.

Kesia ficou sabendo que ele ainda estava no hospital e sentiu uma culpa profunda.

Se houvesse uma próxima vez, ela teria que ser aquela a se sacrificar primeiro.

Balançou a cabeça e fez o pedido dos ingredientes para a sopa pelo aplicativo de delivery.

Enquanto esperava a entrega, foi até a varanda para olhar o movimento.

Foi então que percebeu, surpresa, que as flores de pera no pequeno jardim haviam desabrochado todas de uma vez durante a noite, criando uma beleza repentina.

Uma delas, soprada pelo vento, caiu de leve, e Kesia a pegou com a mão erguida, sentindo o peso no peito se dissipar um pouco.

"Olha só, quem é que anda roubando flores aqui?"

O velho Luciano, que cultivava plantas no apartamento ao lado, veio até ela com passos apressados.

Kesia sorriu: "Não fui eu, ela veio sozinha."

"Você, mocinha danada." O velho também sorriu. "Esses dias não te vi, viajou a trabalho?"

"Não, estou trabalhando de casa, acabei sem tempo de sair."

"Kesia, você trabalha demais! Essa sua empresa acha que você é máquina?" O velho reclamou, indignado. "Já pensou em conhecer meu filho caçula? Por que não marca um encontro?"

Kesia riu, sem jeito: "Ainda estou esperando o divórcio, não seria certo."

"Encontro não é casamento, ninguém vai te prender por isso!" Luciano insistiu, paciente. "Meu filho é bonito, bem de vida – posso te garantir, em toda Cidade H não tem nenhum rapaz melhor do que ele."

Só de lembrar disso, Luciano se irritava.

Stefan, aquele garoto, teve a coragem de dizer que Xavier gostava de mulheres casadas!

Queria dificultar para ele? Ah, não tinha chance!

Kesia achou aquela conversa estranhamente familiar.

Mas não conseguia se lembrar de onde já tinha ouvido algo parecido.

Luciano continuou vendendo o peixe do filho com entusiasmo, e Kesia ficou corada de tanto ouvir.

Hélio pareceu feliz de início.

Logo depois, lembrando-se de algo, lançou a ela um olhar de desprezo e escondeu o rosto no ombro de André.

Íris revirou os olhos para ela, ameaçando cuspir.

Lílian, de canto de olho, observou a expressão de Kesia, e deu tapinhas carinhosos na mão de Íris, murmurando algo para acalmá-la.

André torceu os lábios, lançando um olhar frio para a mulher no elevador e para as marmitas em suas mãos.

Como pensara, por mais que fingisse indiferença, ela não conseguia deixar as crianças para trás.

Tinha demorado a chegar porque estava preparando sopa para Hélio.

"Veio na hora certa, não é?" André ironizou.

Kesia ficou em silêncio, olhando para o grupo à sua frente.

Suspirou internamente, pensando na má sorte daquele encontro.

O ar ficou carregado de um silêncio estranho.

Hélio olhou para trás, espiando a tigela de sopa nas mãos dela: "Agora que trouxe sopa, eu nem quero mais! Leva sua sopa e vai embora!"

Por causa da doença de Hélio e Lílian nos últimos dias, Íris vinha recebendo menos atenção.

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