A porta do quarto do Sr. Braga estava trancada por dentro. Isabela bateu algumas vezes antes de ouvir sua voz baixa lá de dentro. “Quem é?”
Suspirando, ela anunciou: “Vovô, sou eu.”
Não demorou muito para ele destrancar a porta. Parecia estar em melhores condições do que na noite anterior e provavelmente foi o primeiro membro da Família Braga a aceitar a dura realidade.
Isabela entrou e tirou o laudo da autópsia, entregando-o a ele. No início, ele ficou confuso ao receber o documento, mas logo entendeu do que se tratava e soltou um suspiro. “Aquele garoto... Por que ele levou tudo tão a sério?”
Com pesar, Isabela respondeu: “Sobre o Dexter... Acho melhor mantermos esse acontecimento em segredo.”
No momento em que falavam, a causa da morte de Dexter havia sido anunciada ao público como um acidente fatal de carro. Se revelassem que Dexter havia tirado a própria vida, Isabela temia que isso manchasse a imagem da Família Braga.
O Sr. Braga concordou com a sugestão dela e assentiu. “Então não vamos contar a ninguém. A verdade ficará apenas entre nós. Você já resolveu toda a papelada no hospital, não é?”
Diante da pergunta, ela confirmou com a cabeça. “Já está tudo certo. O corpo do Dexter está no necrotério; o hospital perguntou se queremos cremar lá mesmo ou se preferimos levar o corpo de volta.”
O Sr. Braga pensou um pouco e concluiu: “Pode cremar lá mesmo. Não traga o corpo de volta. Como despedida, vamos visitá-lo pela última vez no dia da cremação. Se fizermos o velório em casa, temo que seus pais não suportem.”
A explicação dele fazia sentido, então ela concordou. “Tudo bem, vou cuidar disso.”
Quando estava prestes a sair, uma ideia lhe ocorreu e ela olhou para o avô. “Vovô, se tiver um tempo, dê uma volta lá fora. Não fique trancado no quarto. Fico preocupada ao te ver assim.”

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Viagem de Divórcio
O que se passa! Vai fazer um ano em que não há atualização...