Christina parou.
Por um momento, pensou que ainda estava bêbada.
O que Adolph estava fazendo ali?
Ela viu a expressão fria do homem e a determinação em seus olhos. Claro que estava ali por causa dela. Talvez tivesse descoberto seu passado de alguma forma.
Como tinham acabado de se divorciar, ela não era obrigada a dizer "oi". Então se recompôs e continuou por seu caminho de peito estufado e cabeça erguida, elegante e calma.
"Pode parar." Disse uma voz grave vinda dos bancos.
Christina continuou andando, como se não tivesse ouvido.
De repente, agarraram seu pulso. Os seguranças atrás dela se aproximaram na mesma hora para impedir o homem. "O que você está fazendo?"
Um dos seguranças tentou barrá-lo, mas Adolph se esquivou. Prestes a acontecer uma briga, Christina fez um sinal calmo com a mão para que os seguranças recuassem. Em seguida, olhou para Adolph, séria. "O senhor me machucou."
Ele tinha segurado seu pulso com força. Ela o conhecia a tanto tempo, e essa foi a primeira vez que ele a tocou.
Só depois do divórcio.
Que irônico.
Adolph olhou para a expressão rígida da mulher. Aquele seu ar delicado e obediente tinha dado lugar à frieza, como se nunca o tivesse conhecido, o que o deixou deprimido e irritado.
"O que você está tramando?"
Adolph a soltou, mas seu tom de voz continuou frio. "Quem é você?"
O assistente dela o repreendeu, descontente: "Quem é você para falar assim com a senhorita Granger?"
Christina balançou a mão e olhou para Adolph de maneira frígida. "Senhor, a gente se conhece?"
Adolph ficou desconcertado.
Ela tinha mesmo dito que não o conhecia? Então o casamento de três anos deles não passava de ilusão?
Cerrando os punhos discretamente, Adolph quis bater em alguém. Ele, cujo temperamento estava controlado havia muitos anos, quase explodiu graças àquela mulher. Ele rangeu os dentes e disse: "Se você não me conhece, então por que estava me olhando?"
"Eu só estava olhando um cara bonito. O quê? Você não gosta que façam isso? Por acaso seu rosto é alguma atração que as pessoas têm que pagar para apreciar?" Respondeu Christina, séria.
Adolph ficou sem saber o que dizer.
Quando aquela mulher reservada tinha se tornado tão agressiva?
"Alguém tem dinheiro?"
Christina virou a cabeça para perguntar aos assistentes.
Eles procuraram nos bolsos por um bom tempo e, finalmente, um deles tirou uma moeda, dizendo envergonhado: "Só cinquenta centavos".
"Já serve."
Christina pegou a moeda e a colocou na mão de Adolph. "Aqui, cinquenta centavos. Pode ficar com o troco."
Em seguida, em seus saltos altos, ela saiu graciosamente com um grupo de pessoas, imponente, como uma rainha que desprezava a tudo e a todos, sem olhar para trás e sem hesitar.
Adolph ficou parado segurando a moeda, com a cabeça a mil. Aparentemente, nunca tinha conhecido aquela mulher, que era muito diferente da do passado.
Contudo, sua aparência era inconfundível, e a pinta no canto do olho já tinha dito tudo.
Ele ouviu uma gargalhada. Hyman, que tinha presenciado tudo da entrada do elevador, riu tanto que quase passou mal.
"Quem?" Christina franziu o cenho.
Martin olhou os dois homens, que passaram o braço no ombro um do outro no vídeo, e disse: "O cara que pegou na sua bunda, apanhou e ficou todo vomitado ontem à noite. Pelo que parece, ele é bem próximo do Adolph".
O olhar de Christina ficou frio. "Então foi ele quem me entregou?"
"Muito provavelmente."
Enquanto falava, Martin continuava a mexer no computador, até que deu um leve suspiro. "Como era de se esperar, o sistema de segurança da pista de dança foi hackeado ontem à noite. Provavelmente foi o Hyman."
Ele não esperava que as habilidades computacionais de Hyman fossem tão boas.
A expressão de Christina estava severa. Ela não sabia que Adolph tinha uma relação com a família Hyman da Cidade R. Ou, melhor: durante os três anos de casamento, ele a tratou como se fosse invisível e nunca a levou para conhecer seus amigos ou para entrar em seu círculo social.
"Você bebeu até metade da noite. Se o Hyman te reconheceu e contou para o Adolph, então ele deve ter vindo para cá durante a outra metade."
Martin parou para pensar e disse com desdém: "Será que só depois do divórcio esse filho da p*ta percebeu o quanto você é boa e quer voltar?"
Christina bateu os cílios e disse de forma autodepreciativa: "Você acha que isso é possível?"
"Não."
Martin acabou com sua fantasia sem dó nem piedade. "Pelo que eu sei, teve uma confusão na Mansão Santos ontem à noite. Sua ex-sogra e a Emily brigaram. No final, o seu ex-marido mandou a mãe embora por causa da namorada."
Ao ouvir aquilo, o peito de Christina ficou apertado, e ela se sentiu ridícula.
Apesar de ser um bom filho, Adolph teve coragem de enfrentar a mãe por causa de Emily, o que mostrava o quanto ele a amava. Dessa forma, sendo sua ex-mulher, Christina não era nada para ele em comparação a ela.
"Se ele veio mesmo por sua causa, o que você vai fazer?" Perguntou Martin.
Christina afastou todos os pensamentos angustiantes e se mostrou calma e indiferente. "Já que a gente se separou, não existe mais nada entre a gente. Eu fiquei à disposição dele por três anos, não vou mais ficar."

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