Não era mentira que Christina não tinha tempo. Ela estava mesmo ocupada.
Depois de voltar para a Cidade S, várias reuniões de negócios a aguardavam. Ela estava atarefada e não tinha tido nenhum encontro pessoal com ninguém. Quando afirmou que precisava focar na carreira, todos os seus irmãos a olharam com indiferença.
Naquela noite, mais uma reunião aconteceria.
Conforme as luzes se acendiam com o cair da noite, a Cidade S ia ficando cada vez mais movimentada. Nas calçadas, aqui e ali, irmãs andavam de mãos dadas, e namorados se beijavam, dando à antiga cidade um ar juvenil e romântico.
Christina se inclinou na cadeira, abriu a janela e olhou silenciosamente para o mundo lá fora.
Havia um casal no meio-fio comendo espetinhos recém-assados. A garota alimentava o namorado, que a beijou depois de terminar uma mordida. Em seguida, ela o olhou com um sorriso doce no rosto, e os dois foram para outra barraca de mãos dadas... Aquilo sim era um amor simples e feliz.
O que Christina queria era a simplicidade na vida como assim.
No dia seguinte, Adolph se casaria com outra pessoa. O motivo pelo qual ela não queria vê-lo era que não sabia o que queria lhe dizer.
Como sua ex-mulher e alguém que o tinha amado por tantos anos, talvez a coisa mais madura a se fazer fosse lhe dar suas bênçãos, mas ela não dava o braço a torcer. Não conseguia suportar a ideia de vê-lo ao lado de outra mulher.
"Toque uma música."
Obedecendo à ordem de Christina, Gabriel Vintos, sentado no banco da frente, ligou o rádio do carro. Uma velha música famosa saiu dos alto-falantes num volume baixo. "Se não fosse pelo tremor quando eu disse aquelas palavras, eu não teria percebido minha tristeza. Mesmo não tendo dito em voz alta, continuou sendo um término..."
Ela fechou os olhos e escutou a música chegar ao clímax lentamente.
"Dez anos atrás, eu não te conhecia, e você não me pertencia. Estávamos como antes, estranhos andando em uma rua conhecida. Dez anos depois, éramos amigos..."
Todo tipo de imagem de Adolph nos últimos dez anos passou pela cabeça de Christina. Seu ar orgulhoso e triunfante, sua expressão aflita e seu rosto adormecido, tudo estava muito bem gravado na memória dela.
No entanto, a única coisa que ela não queria saber era como ele era aos olhos de sua amada.
Ela já tinha presenciado aquilo e ficou de coração partido.
O dia de amanhã seria o fim de todo o seu amor e juventude.
......
A reunião aconteceria no Lakeside Clubhouse, uma antiga concessão francesa do período republicano, com um design típico da época. O gramofone, as pinturas a óleo e os riquixás estavam dentre os destaques, e todas as garçonetes usavam cheongsams.
Christina foi com seu assistente direto para a sala privada no terceiro andar. A pessoa que a tinha convidado era Bob, o gerente-geral do NR Estate. Ele queria conversar sobre a cooperação relacionada ao terreno nos subúrbios do norte da cidade.
Contudo, quando chegaram ao local, a figura de costas sentada à janela não era Bob, mas sim...
"Hyman", chamou Christina, semicerrando os olhos.
Ele estava apoiado preguiçosamente na janela, e, apesar de ela ser alta, suas pernas eram compridas o suficiente para encostarem no chão. A primeira coisa que Christina notou tinha sido elas.
Só depois de perceber que Christina estava ali é que Hyman se levantou e ajeitou a postura para lhe dar as boas-vindas. "Senhorita Granger, que bom ver você."
"Estou na sala errada?" Perguntou Christina com toda a calma do mundo.
"Não."
Hyman sorriu e foi até a outra ponta da mesa para puxar uma cadeira para Christina. Ele sinalizou com a mão de forma bem cavalheiresca. "Sente-se, por favor."
A mulher ficou parada.
Gabriel tinha apenas acabado de pegar o celular, quando Hyman disse: "Não precisa confirmar. Sou eu. Como quero colaborar com vocês, me livrei do Bob."
Aquilo foi de uma arrogância extrema.
"Senhorita Granger..." Gabriel se aproximou e pediu orientações. Estava pronto para chamar seguranças a qualquer momento para levá-la embora.
Vendo a naturalidade e a confiança de Hyman, Christina resolveu ficar. Queria saber quais eram os truques daquele exibido, que estava preparado para o que desse e viesse.
Com um olhar frio, ela se levantou e estava prestes a ir embora.
Sua postura mudou num piscar de olhos.
Por um momento, Hyman ficou abalado com aquela mudança repentina de humor. Quando finalmente voltou para a realidade, ela já estava à porta. Ele se apressou e apareceu na frente dela, bloqueando a saída.
"Senhorita Granger, não é brincadeira. Eu estou falando sério."
Christina ergueu a cabeça lentamente, e seu olhar o fuzilou como uma metralhadora. Ela sentiu que tinha ficado mais paciente depois de passar três anos com Adolph, o que fazia com que conseguisse continuar perdendo tempo com aquele cara.
"Em primeiro lugar, eu não misturo vida pessoal com trabalho, e odeio homens que veem nisso uma oportunidade para conquistar alguém. Você acha que é tudo isso?"
"Em segundo lugar, a família Roger pode ser gananciosa, mas aqui é a Cidade S, não a Cidade R. A Cidade S não é governada pela sua família."
"Em terceiro lugar, você é quem está pedindo para trabalhar comigo e quer 50% dos lucros? Sonha! Não vou dar nem 30%!"
Quando terminou de ouvir, Hyman balançou a cabeça, achando o que ela tinha dito muito sensato. Então, perguntou pacientemente: "Só isso? Mais alguma coisa?"
Aquele cara não tinha mesmo vergonha na cara.
"Em quarto lugar", Christina atendeu a seu pedido e deu uma passo à frente, respondendo com frieza: "Você acha certo roubar a mulher do seu amigo?"
Ao ouvir aquilo, Hyman respondeu sem pensar duas vezes: "Vocês não se divorciaram?"
Ao ter aquilo reiterado, ela pisou sem hesitação em seu pé.
"Dói..."
Pela primeira vez, Hyman soube a dor de um salto alto. Junto com a irritação, aquilo o estava matando.
Ao ver Christina se afastar, ele acrescentou sem medo: "O Adolph vai casar amanhã, você vai? A gente pode ir junto."

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