"Me desculpe."
Inesperadamente, Adolph soltou essas palavras, que julgava apropriadas.
Aquela mulher tinha cuidado dele por três anos, mas ele não cuidou dela nem por um dia sequer. Ele lhe devia um pedido de desculpas porque outra mulher também a tinha machucado.
Ao ouvir a frase, Christina ficou atordoada.
Ninguém sabia melhor do que ela o quanto ele era mal-humorado e difícil de lidar. Era a primeira vez que pedia desculpas.
Mas o que ela queria não era um "me desculpe", e, sim, um "eu te amo".
Christina riu internamente de si, mas não se moveu e disse com calma: "Pode deixar."
Ela se virou e entrou no carro.
Estava muito diferente de antes. Parecia que já não tinha mais nenhum afeto por ele.
Será que tinha desistido dele?
Os assistentes também entraram no carro e estavam prontos para ir embora.
Assim que deram partida no carro, Adolph se lembrou de algo, deu um passo à frente e bateu na janela.
Christina perdeu a paciência. Ele ainda não tinha acabado? Quando tinha ficado tão maternal?
Ela abaixou o vidro. "O que mais eu posso fazer por você, Sr. Santos?"
"Por que você fingiu que era enfermeira para cuidar de mim? Eu te escolhi, mas você podia ter recusado. Por que concordou?", perguntou.
Essa era a questão principal!
Christina se virou para olhar seu lindo rosto confuso, como se ele realmente se importasse com a resposta.
"Não tem mais importância." A chuva gelada entrou pela janela, cobrindo-a de frieza. Com sua voz suave, disse: "Se a gente se encontrar um dia, é melhor fingir que não se conhece".
A janela se fechou devagar, e os três carros deixaram a rua.
Adolph ficou ali, parado na chuva, segurando um guarda-chuva. Ao observar o carro se afastar, ele se sentiu perdido, vazio, como se algo tivesse sumido de sua vida.
Sentiu uma dor no coração nunca antes sentida.
Ele deixou os ombros caírem.
Virou a cabeça e viu o sorriso radiante de Hyman, cujo corpo e cabelo estavam molhados, como se ele tivesse coberto por neblina, mas cuja expressão brilhava como o sol.
Hyman colocou o braço ao redor de seus ombros e perguntou em tom provocador: "Só começou a pensar nisso depois que ela foi embora?"
Adolph o empurrou para longe com desgosto e disse com frieza: "Não é da sua conta".
"Claro que é."
Sem medo do perigo, Hyman continuou: "Adolph, não seja ruim com a sua mulher. Mas já que vocês estão completamente separados, a Christina é uma pessoa livre. Eu posso ir atrás dela".
Adolph parou e olhou torto para ele, fuzilando-o com os olhos.
"Sério isso?"
Hyman se endireitou e parou de fazer piada. Olhou sério para o amigo e disse: "Claro que é. Qual o problema? Achei que você não gostasse mais dela".
Ele notou a expressão de Adolph. "Não me diga que você se apaixonou por ela depois de se divorciar."
O olhar de Adolph ficou sombrio.
O motorista tinha quase atingido uma pessoa e se desculpou: "Me desculpe..."
Gabriel olhou para a figura escura na frente do carro e a achou muito familiar. Desconfiado, colocou a mão no bolso e, assim que abriu a porta, Hyman invadiu o carro e disse: "Senhorita Granger, você pode me dar uma carona, por favor?"
Ele sentiu o ar frio no rosto. Estava ensopado.
Ao vê-lo entrar sem pedir, Christina fechou a cara. "Quem deixou você entrar? Vá embora!"
"A gente é amigo, tenha um pouco de compaixão."
Hyman se sentiu muito à vontade. Assim que entrou no veículo, começou a tirar as roupas. Depois do casaco, foi a vez das calças. Todo mundo ficou chocado com aquilo.
Assim que abriu o cinto, uma faca foi colocada em seu pescoço.
O tom de voz de Christina era frio, e seu corpo se encheu de instinto assassino. "Hyman, você está achando que o meu carro é puteiro?"
Quando Hyman mexeu o pescoço, sentiu um pouco de dor e sangrou. A faca de Christina era uma militar alemã, capaz de cortar ferro como se fosse pão. Era como se ela nunca o tivesse visto.
"É perigoso uma mulher mexer com faca. E se acabar se machucando?"
Hyman deu um sorriso atrevido. Ele ergueu a mão e segurou o cabo da faca. Devagar, a afastou e foi em direção à mão dela, que estava coberta de sangue. Ele não sabia o que dizer e pensou: "Essa mulher é mesmo muito cruel".
"Não é nada disso." Ele brincou com o cabelo molhado e disse sorrindo: "Só estou molhado, não quero sujar seu carro".
Christina não comprou a explicação e disse com frieza: "Se você estivesse tão preocupado assim, nem teria entrado aqui".
Hyman colocou o cinto de segurança de novo. Sua camisa branca estava toda encharcada e grudada no corpo, revelando os músculos bem definidos de seu peito e abdômen, e a barra caída e desabotoada lhe dava uma aparência casual.
Ele pegou alguns lenços de papel para limpar o sangue do pescoço e se inclinou no banco. Estava extremamente encantador com seus olhos enamorados. "Eu quero muito ser seu amigo, senhorita Granger."

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