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A Vingança da Verdadeira Herdeira romance Capítulo 414

A família que eu esperava, nunca esperou por mim.

Segunda-feira, 21 de junho de 2007, chuva leve.

Hoje fui punida novamente.

Toda a mágoa e impotência me fizeram pensar que talvez esta casa realmente não fosse meu lugar.

Antes de sair para a escola de manhã, deixei um bilhete: Já que vocês não gostam de mim, é melhor eu voltar para o orfanato.

Se não há amor, não há por que continuarmos nos machucando.

De qualquer forma, já estou acostumada à solidão. Viver sozinha é melhor do que sentir o desprezo todos os dias.

Com o coração pesado, segui para a escola, arrastando os pés. Passei o dia todo distraída, com os pensamentos presos às lembranças das situações em casa.

Por isso, depois da aula, voltei de bicicleta para o orfanato.

No caminho, a garoa caía fina e gelada sobre mim, cortando como gelo.

Quando vi o portão familiar do orfanato, senti uma paz que não sentia havia muito tempo.

Mas, antes mesmo de estacionar a bicicleta, vi o carro da Família Alves parado em frente ao portão.

Meu pai desceu do carro; ao ver que eu estava encharcada, não perguntou se eu estava com frio. Sem dizer uma palavra, me deu um tapa no rosto.

O som do tapa cortou a chuva fina e ardeu no meu rosto, que ficou quente e dolorido na hora.

Apontando o dedo para mim, ele gritou: "Você é uma ingrata! Todos esses anos, nós procuramos por você. Quando finalmente te encontramos, você só causa problemas. Agora ainda aprende a ameaçar a gente com fuga de casa?"

Seus olhos estavam arregalados de raiva, o rosto tomado pela fúria, como se eu tivesse cometido um crime imperdoável.

Pensei comigo mesma: talvez eu não tenha me esforçado o suficiente, por isso eles me entendem tão mal. A partir de hoje, vou me esforçar mais ainda para mudar a opinião deles.

Mesmo que essa casa só me trouxesse dor, eu ainda desejava encontrar nela um pouco de calor, um pouco da sensação de lar.

Força, Selena!

Lucas leu aquelas palavras como se visse diante de si a Selena de anos atrás — tão frágil quanto determinada, lutando contra a incompreensão e as acusações da família.

Suas mãos tremiam tanto que quase deixou o diário cair.

"Como pude ser tão cego, tão cruel… Eu fui um idiota. Preciso encontrar a Selena, custe o que custar, preciso pedir perdão." Murmurou para si mesmo, a voz carregada de arrependimento e culpa, enquanto as lágrimas mais uma vez embaçavam seus olhos, molhando as páginas amareladas do diário.

Lucas não teve mais coragem de continuar lendo. Mesmo sem olhar, já podia imaginar o que Selena escrevera em seguida.

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