Como era de se esperar, João estendeu a mão para ela.
Sua mão grande acabou pousando em seu pescoço.
Selena se assustou. O que estava acontecendo? Não era para ele simplesmente pegá-la e descartá-la? Como aquilo se transformou em estrangulamento?
Será que João queria matá-la enforcada?
O pescoço frágil de um bebê sendo apertado fez com que Selena imediatamente sentisse falta de ar.
Pronto, mal tinha renascido e já estava prestes a ser estrangulada.
No entanto, no segundo seguinte, João soltou seu pescoço e passou a segurá-la no colo.
Selena suspirou de alívio.
Ainda bem que ele não queria matá-la.
Na vida passada, João também quis se livrar dela. Nesta vida, João tomou a mesma decisão.
Só que, diferente da dor que sentiu na última vez, agora, ela mal podia esperar para deixar a Família Alves.
Sem surpresa, João a deixou na porta de um orfanato.
Durante todo o caminho, Selena não emitiu um som sequer, apenas ficou de olhos abertos observando cada movimento de João.
Depois de largá-la, João a encarou de cima, e zombou friamente: "Sua bastardinha, se vai viver ou morrer, depende só da sua sorte."
Dito isso, ele se afastou sem um pingo de remorso.
Apenas quando não conseguiu mais enxergar João, Selena começou a chorar alto.
Era final de outono, e a noite estava muito fria.
Se ela ficasse ali quietinha sem fazer nada, certamente morreria de frio durante a noite.
Ela então puxou o fôlego e chorou alto, e seu choro ecoou longe naquela noite silenciosa.
Logo em seguida, o portão do orfanato se abriu e, ao verem aquele recém-nascido abandonado no chão, logo a pegaram no colo e a levaram para dentro.
Assim, Selena entrou novamente no orfanato.
Da sua vida passada, ela não sabia como tinha sido quando era tão pequena assim.
Ouvindo tudo aquilo, Selena fechou os olhos sem palavras.
Em um piscar de olhos, passou-se um ano.
A "deficiente" aos olhos dos outros não só falava claramente e já andava com firmeza, como também reconhecia todas as letras que as cuidadoras lhe ensinavam.
Isso deixou todo o orfanato em choque.
"Achávamos que a Selena era deficiente, mas ela é um gênio!"
"Pois é, em todos esses anos, nunca vi uma criança tão inteligente, é impressionante."
"Nem me fale. Ensinei as letras pra ela uma vez, e ela já decorou tudo. Hoje, no mínimo, já conhece umas duas mil palavras."
"Meu Deus, o nosso orfanato tem um gênio! Se os pais dela descobrirem isso no futuro, vão se arrepender muito de tê-la abandonado."
Sentada em um banquinho, Selena lia um livro.
Ela ouvia claramente cada palavra daquela conversa.

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