Dagmar
De repente, Marcus toca minha mão, tirando-me dos meus pensamentos.
— O que foi, Marcus? — pergunto, enquanto me viro para encará-lo.
Ele aponta para frente, e vejo as paisagens familiares das montanhas. Montanhas que me dizem que estou perto do território da minha Alcateia.
Meus olhos começam a lacrimejar, e eu luto para contê-los. Este não é o momento de desmoronar. Talvez, se eu sobreviver, possa desabar depois. Finalmente, ceder ao luto pela minha família, mas não agora.
Agora, preciso manter minha mente na vingança. Tenho adiado tudo em minha vida com o único propósito de vingança.
As pessoas ao meu redor seguiram em frente, continuaram com suas vidas, enquanto a minha ficou em espera. Todos sabem que eu não estou realmente vivendo, apenas persistindo para conseguir minha vingança.
Aqueles que não me conhecem não me entendem. Eles sempre assumem que eu não me importo com ninguém além de mim mesma. Estou ciente disso, mas não me importo com o que os outros pensam de mim.
Meu esquadrão, meu tio e Maddox conhecem o verdadeiro eu: aquele que sofre, aquele que luta. Eles sabem que eu me importo e que os aprecio. Que daria minha vida por eles.
Assim como sei que eles se importam comigo e dariam suas vidas por mim. Mas uma parte de mim está com medo, com medo de nunca mais poder ser aquela garota despreocupada que fui um dia. Uma garota que não tinha consciência dos horrores que existiam no mundo.
Achava que nada poderia tirar a vida que levava. O amor, a bondade e a paz que sentia durariam para sempre. Mas essa garota está tão escondida dentro de mim, que às vezes me pergunto se ela voltará algum dia. Talvez eu recupere uma parte dela no dia em que encontrar meu companheiro.
— Vire à direita na estrada de terra. — Conduzo a Marcus. — Não vai demorar muito.
Marcus lidera nossa caravana de SUVs pela estrada de terra que indiquei. Carlos e Daniel acordam lentamente no banco de trás.
Depois de uma curta viagem pela estrada, aponto para a esquerda. Enquanto Marcus faz a curva, percebo que algo não está certo. Há um grande portão à nossa frente. Ele não estava lá quando saí.
A confusão está estampada em meu rosto, e faço contato mental com meu tio.
— Tio James, quem colocou aquele portão?
Antes que meu tio possa responder, Carlos pula do carro e vai até o portão. Em um minuto, ele consegue destrancá-lo, e continuamos nosso caminho.
— Dagmar, eu não faço ideia de quem colocou aquele portão. Mas quem quer que seja, isso será relatado ao Conselho. — responde ele.
Mais adiante na estrada, vejo mais coisas que não deveriam estar lá: prédios, cercas e o que parece ser um campo de treinamento.
Isso não é o que eu esperava, e isso me deixa furiosa. Este é o território da minha Alcateia, e ninguém tem o direito de estar aqui ou construir algo neste lugar.
Marcus, Carlos e Daniel sentem que estou prestes a explodir de raiva.
Daniel se inclina para frente e coloca a mão no meu ombro.
— Vamos descobrir quem fez isso. — sussurra ele para mim.
Isso é o suficiente para me acalmar, para que eu não saia por aí matando alguém.
POV: Maddox
Vejo as montanhas bem na minha frente e, então, elas se transformam no rosto sorridente de Gina. A tristeza me domina, e eu luto contra as lágrimas que querem sair.
Enquanto Rico segue atrás de Marcus, James coloca a mão no meu ombro.
— Você está bem? — ele pergunta através do contato mental.
Assinto e começo a olhar pela janela.
"Que porra é essa...?" James olha à frente, chocado, e, quando sigo seu olhar, entendo o surto. Aquele portão não deveria estar ali e, se eu estiver vendo corretamente, há alguns prédios que também não deveriam estar ali.
À medida que nos aproximamos, vejo que Carlos pulou do carro e destrancou o portão.
Nós três ficamos tensos, sabendo que isso foi feito sem permissão do Conselho. O Conselho tem doze membros: lobisomens e licantropos. Eles estabeleceram leis e regras pelas quais vivemos há séculos.
Eles garantem que as alcateias sigam essas leis e regras, porque, sem elas, a humanidade teria consciência de nossa existência. E isso poderia causar muitos novos problemas para o nosso tipo.
Neste momento, eu quero estar no carro com Dagmar para poder acalmá-la. Eu sei que ela está furiosa agora. Eu quero segurar a mão dela para que ela saiba que não está sozinha.
Dagmar
Conheço este território de cor e guio Marcus até onde costumava ser a casa da nossa alcateia. Quando ele para eu pulo do carro e começo a olhar ao redor. Não há nada que indique que costumava haver uma casa neste local.
Não há nada que mostre que já vivemos aqui. Nada que indique que esta foi, um dia, a casa da Alcateia da Lua Azul. Minha cabeça começa a girar, e meus olhos ficam lacrimejantes.
Mas, como sempre, eu empurro tudo para trás, nenhuma emoção aparecendo no meu rosto. Quem quer que seja responsável, pagará pelo erro cometido. Meu esquadrão, meu tio e Maddox ficam ao meu lado em silêncio.
Meu tio James tem lágrimas rolando pelo rosto, e Maddox tem uma expressão triste nos olhos. Eu quero segurar a mão dele, mas não posso arriscar me entregar.
Então, ouvimos um som à nossa direita, e Jenna não perde tempo. Em questão de segundos, ouvimos um guincho, e Jenna reaparece com uma mulher ao seu lado. A mulher parece aterrorizada e está prestes a desabar em lágrimas.
Marcus se aproxima dela, e é possível ver o medo surgindo em seus olhos à medida que ele se aproxima. Com seus 1,88 m e em seu uniforme de combate, ele parece muito intimidador.
Mas ele nos surpreende a todos quando se abaixa para ficar no nível dos olhos da mulher.
— Qual é o seu nome, pequena? — ele pergunta gentilmente.
Seus olhos se arregalam ao olhar para ele, mas ela consegue dizer que seu nome é Lily.
Percebendo que ela está assustada e sabendo o quão intimidadores todos nós parecemos em nossas roupas de batalha, eu envio meu esquadrão para investigar.
Marcus está prestes a se afastar quando Lily segura seu braço.
— V-você vai ficar? — ela pergunta baixinho, sem olhar para ele.

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