Hunter Knoefel
Eu ouvi ao fundo uma pessoa dizendo: doutor, eu falei ao senhor que os sinais que o senhor Knoefel estava dando, não eram os espasmos que aconteciam de tempos em tempos, falei que os movimentos que ele fazia eram diferentes, como quem estava tendo atividade cerebral.
Quando abri meus olhos, tive vontade de fechar de novo instantaneamente, foi como se o sol estivesse dentro da minha retina. Uma fotofobia muito forte atacou minhas pupilas. Logo apagaram a luz e pude abrir novamente os olhos, dessa vez, com mais cautela.
Não me lembrava de nada. A luneta direcionada aos meus olhos também não ajudava, aliás, ela piorava a minha situação. Mas eu conhecia o procedimento, era para ver se eu tinha atividade.
— Doutor Knoefel, o senhor está me ouvindo? Consegue me compreender? —
Respondi, levantando com dificuldade o dedo polegar. Queria falar, mas minha voz não saía. Aquelas foram duas das muitas perguntas que me fizeram e, que confesso, tive dificuldade em responder algumas, como a minha idade. — Leve-o para a ressonância.
Não sabia o que estava acontecendo, devia ter sofrido um acidente, a única coisa de que me lembrava era de estar indo atender um chamado de emergência. Só esperava que a pessoa que deixei de atender, estivesse bem.
(...)
TRÊS DIAS DEPOIS
Devia ser a centésima vez somente hoje, que eu escutava essa frase:
— É um milagre! — Minha mãe me beijava sem parar e, apesar de me sentir querido, também me deixava encabulado. — Quando ele poderá voltar para casa, doutor?
— Os exames do senhor Knoefel deram excelentes. O que mais me preocupava era os rins, e ele está urinando normalmente. Apenas necessita de uma fisioterapia intensiva.
— A ex-namorada dele é fisio, posso ver com ela. — minha mãe disse.
— Ex? Me separei da Ariana? — Quando ouvia minha voz, parecia a voz de outra pessoa. Sempre tive a voz grossa, mas ela estava em demasia.
— É, se separou, mas antes do acidente já ficavam naquele chove e não molha, se fica e não fica. — minha mãe respondeu.
— Sei que na casa de vocês tem um excelente centro de terapia, que é o que ele mais necessita agora, largar o andador e melhorar a fala, já que as cordas vocais ficaram por muito tempo paradas e os membros, pelos mesmos motivos, estão fracos. Não atrofiaram porque mesmo em coma, recebia fisio e massoterapia. — o médico voltou ao foco da conversa.
— Pode deixar, doutor, iremos cuidar desse rapazinho direitinho. Não vejo a hora de levá-lo para casa. — ela disse sorrindo.
— Ótimo, vou sair e deixar vocês conversarem. — o doutor de meia-idade, excelente neuro e amigo do meu pai, saiu, deixando no quarto apenas minha mãe e eu.
— Mad veio hoje cedo, Wayne ontem, a senhora está aqui. Quem ainda não apareceu foi o Ed e a Krystal. — falei.
Minha mãe se ajeitou no sofá ao lado da maca, parecia que algo a incomodava, mas era algo que não podia me falar.
— Edward está no México, não estamos conseguindo contato com ele. Diz que há quatro dias que não entra no aplicativo de mensagem. E Krystal está muito feliz, chorou muito quando soube que você acordou, mas não quis vir para não te aborrecer.
— Me aborrecer? Ver minha irmã só me encheria de alegria. Me conta, mãe, o que aconteceu nesse último ano que perdi?
— Deixe-me ver… — ela tamborilou os dedos sobre os lábios. — A COVID-19 foi controlada, algum doido mergulhou um avião para o solo, tivemos vários massacres com arma de fogo, e descobrimos que você se casou no México escondido.
— Quem se casou escondido? Essa parte, eu não entendi. — franzi o cenho.
— Você, Hut.
— Eu? Com quem? Quando? Está brincando comigo, mãe? — sim, só podia ser zombaria da senhora Roselie.
— Sim, você, filho. Quando, não sabemos, com quem, tampouco.
Vi que ela estava falando sério.
— Não, mãe, se alguém se apresentou dizendo ser minha esposa, é golpe. Não tem lógica eu ter me casado sem comemorar com a minha família.
— Edward foi para o México, justamente para ver se essa história é verídica.
— Wayne deveria ter ido com ele. É advogado e entende mais de trâmites legais.
— Mad queria contar ao Wayne, mas seu irmão não deixou.
— Não sei porquê. De onde saiu essa história?
— A moça mandou uma carta lá para casa, até muito convicente. Talvez tenha se casado em meio a uma bebedeira, e agora não se lembra.
— Não, mãe. Ok, estou confuso, penso que ainda tenho 27 anos, não lembro do acidente. Agora, não saber que me casei, não creio.
Minha mãe me responderia, mas creio que o celular tenha vibrado no exato momento. Ela pegou o aparelho dentro da bolsa e olhou a tela.
— E-mail do seu irmão, está dizendo que o celular dele pifou e que chega amanhã à noite com a sua esposa. Mandou vários arquivos.
Minha mãe abriu o os PDFs e me mostrou, confesso que fiquei muito surpreso.
Certidão de casamento no ano de 2021,
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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem e o CEO Em Coma - Casamento Forçado