— Não diga bobagens. Ela não é assim, ela é a minha médica particular. — A voz de Gabriel tornou-se rígida, sua intenção de defendê-la era mais do que óbvia.
— Médica particular? Está me dizendo que ela cuida da sua doença? — A voz do homem se elevou bruscamente.
— Sim, o veneno gélido no meu corpo já foi quase todo neutralizado. Minha saúde está muito melhor do que antes. — Gabriel revelou num tom tranquilo.
Ele planejava contar ao amigo apenas quando estivesse curado, mas como o assunto já viera à tona, não havia problema em dizer a verdade.
De dentro da sala, a voz do homem soou repleta de incredulidade:
— Sério? Gabriel, nem mesmo todos aqueles especialistas mantidos pela família Guerra conseguiram resolver o problema. E ela, que é só uma garota, conseguiu? Será que...
— Luciano Lacerda. — O tom de Gabriel baixou, frio. — Se você disser mais uma palavra, mudarei o administrador das minas na África amanhã mesmo.
— Não, não, não! Eu fico quieto, está bem? — Luciano Lacerda rapidamente implorou por misericórdia. Então, baixou a voz. — Mas o seu tio tem agido muito ultimamente, até o velho senhor percebeu. Talvez eles já saibam da existência dessa moça.
— Ela não precisa ser envolvida. Por enquanto, não conte a ninguém sobre o meu tratamento. — Gabriel tamborilou os dedos sobre a mesa, advertindo-o.
— E além disso, aquele ninho de cobras da família Viana já dá trabalho suficiente para ela.
— Meu amigo, milagres acontecem! Mas a vida é para ser aproveitada, você já não é tão jovem. Se não aparecer nenhuma mulher ao seu lado, as pessoas vão começar a desconfiar do nosso relacionamento. O velho senhor já me ligou várias vezes por causa disso.
— Vá para o inferno, eu sou perfeitamente normal. E o único garanhão aqui é você, que troca de namorada toda semana. Quem iria duvidar do seu gosto? — Gabriel ironizou.
— Ei, Gabriel, não faça ataques pessoais! Eu sou muito sincero com as minhas namoradas. — Embora a rotatividade fosse um tanto alta.
Recentemente ele havia conhecido uma modelo jovem, fofa e com voz manhosa.
Como o careta do Gabriel iria entender uma coisa daquelas?
Foi então que Yasmin, do lado de fora, soltou um leve riso e bateu suavemente na porta. O silêncio reinou instantaneamente.
A porta se abriu. Gabriel, que mantinha um semblante sério, suavizou a expressão assim que a viu.
— Chegou?
— Sim. Peguei um pouco de trânsito e atrasei. — O tom de Yasmin estava calmo como sempre.
Hoje ela estava vestida de maneira casual, mas sua aura parecia especialmente fria e distinta.
— Srta. Viana, o que você não sabe é que esse cara costuma ser frio como um bloco de gelo. Você é a primeira pessoa a ser convidada para jantar por livre e espontânea vontade dele.
Gabriel o fitou friamente:
— Você fala demais.
Luciano deu de ombros, sem se importar com a ameaça.
Yasmin respondeu:
— Então é uma honra ter sido convidada!
— Srta. Viana, por favor, sente-se. Fiquei sabendo que é médica, poderia me dar uma olhada? Ultimamente ando me sentindo um tanto fraco. — Luciano levou a mão ao peito de modo teatral, fingindo fraqueza.
Lembrando-se de que Luciano havia duvidado de sua habilidade médica poucos minutos antes, Yasmin deu um sorriso leve e disparou:
— Sr. Lacerda, o seu rosto está pálido, com olheiras muito fundas. É fácil perceber que não está dormindo o suficiente. Por acaso sente palpitações e falta de ar? É melhor tomar mais cuidado com a sua saúde e evitar excessos na cama.

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