“Por acaso a família Albuquerque não tem um cozinheiro? Uma coisa tão pequena, por que você precisaria fazer pessoalmente?”
Gleison respondeu com um ar indiferente: “O que um cozinheiro faz pode se comparar ao que é feito com as próprias mãos?”
Eduardo riu ao ouvir aquilo. “Ah… Tão exigente a ponto de ter que cozinhar a própria comida. Que peculiar.”
Gleison o fuzilou com o olhar. “O que você entende sobre isso?”
Essa pessoa não tinha uma garota amada e, portanto, não compreendia o sentimento de ver a pessoa que ama comer algo que você mesmo preparou.
Eduardo: “…”
Por que sentia que o olhar que Gleison lhe lançara era de desprezo?
Não era possível. Saber cozinhar era grande coisa? Olha só como ele se achava.
“Não vim aqui hoje para conversar fiado. Vamos ao que interessa.”
Eduardo voltou ao assunto principal e, quando estava prestes a mencionar o projeto, seu olhar caiu sobre um papel amassado na mesa de Gleison.
No papel, havia o desenho abstrato de uma pequena figura humana.
Era evidente que não fora Gleison quem desenhara aquilo.
Eduardo, curioso, pegou o papel para examiná-lo. “De onde veio isto? Por que você tem uma coisa dessas na sua mesa?”
Gleison abriu a boca para dizer que fora sua namorada quem desenhara, mas, pensando melhor, lembrou-se de que Eduardo, aos vinte e cinco anos, nunca tivera uma namorada. Se ouvisse que ele tinha uma, provavelmente ficaria com tanto ciúme que rasgaria aquela máscara de gentileza.
Ele não queria ver a expressão distorcida de Eduardo novamente.
“Foi uma criança que desenhou, disse que esta na pintura era uma pessoa que ela estava procurando”, disse Gleison, protegendo sutilmente o orgulho de Eduardo.
E, de fato, não houve nenhuma alteração no rosto de Eduardo.
Ele fixou o olhar na pequena figura de cabelos esvoaçantes no desenho, sem dizer nada por um longo tempo.
Gleison presumiu que Eduardo estava chocado com a falta de habilidade da garotinha no desenho e comentou: “É só para olhar, afinal, foi um rabisco feito de qualquer maneira.”
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