“Vânia?”
Gleison havia chamado por ela três vezes seguidas, mas não recebeu nenhuma resposta. Seu semblante já demonstrava extrema insatisfação.
Vânia estremeceu e apressou-se em recobrar a atenção. “Sr. Albuquerque, o que deseja?”
“Onde você disse que irei hoje à noite?”
Vânia rapidamente abriu a agenda. “Hoje à noite, o senhor tem um encontro com o Sr. Coelho, para discutir a parceria no terreno K2. No entanto, coincidentemente hoje é a festa de aniversário da filha mais velha da família Coelho. O ambiente lá pode estar um pouco barulhento. Deseja remarcar para sexta-feira?”
Gleison afrouxou a gravata e respondeu em tom indiferente: “Não precisa, será hoje mesmo.”
——
Às oito da noite, o carro da família Braga chegou ao hotel onde a família Coelho estava realizando a festa de aniversário.
Gisele vestia um longo vestido branco de ombro a ombro, confeccionado em tecido delicado e adornado com lantejoulas brilhantes, o que a fazia parecer uma pequena princesa reluzente entre as estrelas.
Gisele virou-se e lançou um olhar para Florença. Sabia que, com aquele rosto marcante e impressionante, o impacto de sua aparição no salão seria inevitável.
Na verdade, ela não queria ter trazido Florença.
Embora Florença fosse considerada desajeitada, até Gisele tinha que admitir: aquele rosto não tinha defeitos, sua beleza era incomparável.
Gisele apertou a palma da mão com força. Por um instante, um traço de ferocidade passou pelo rosto que aparentava inocência.
Não importava.
Muito em breve, Florença passaria vergonha nessa festa e se tornaria motivo de riso para todos.
Cláudia desceu do carro e, desconfiada, lançou um olhar a Florença. “Estamos na casa dos outros, comporte-se direito e não envergonhe a família Braga!”
Se não fosse pelo pedido insistente de Gisele para levar Florença, Cláudia jamais permitiria que ela comparecesse a uma ocasião tão importante. Com sua falta de educação e compostura, era impossível prever o que Florença seria capaz de aprontar.
Florença ignorou Cláudia e entrou direto no salão.
“Você…” Cláudia ficou furiosa, cerrando os dentes. “Menina ingrata!”
“Lorena, aquela caipira apareceu,” disse Débora.
Lorena observou o rosto de Florença, ainda mais refinado após uma leve produção, e sentiu crescer sua antipatia por ela.
“Traga o objeto.”
Débora e as outras entregaram-lhe uma coroa de cristal.
Lorena pegou o objeto e dirigiu-se a Florença.
Achando tudo aquilo entediante, Florença pretendia procurar um canto tranquilo para respirar.
De repente, alguém a empurrou bruscamente por trás.
Florença não segurava nada, mas não se moveu nem um centímetro, seu equilíbrio era firme; aquele empurrão não teve qualquer efeito sobre ela.
O que ela não esperava era que, ao mesmo tempo, um som de vidro se estilhaçando ecoasse, semelhante ao de um cristal caindo no chão.

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