Afinal de contas, era o próprio neto.
Por mais insatisfeita que Bruna estivesse com a postura de Lílian naquele momento, aquela criança era sangue do seu sangue. O filho de Marcos, seu filho. De jeito nenhum ela permitiria que algo desse errado com o menino.
— Já mandei gente para lá. — Respondeu Cristiano, em um tom curto.
Depois disso, ele foi direto até Isabela.
Era visível que ela estava exausta. O cansaço marcava seu rosto, sem qualquer disfarce.
Cristiano segurou a mão dela e a puxou de uma vez da cadeira.
— Vamos.
— Ir para onde a essa hora? A criança ainda nem saiu lá de dentro. — Bruna explodiu assim que viu Cristiano tentando levá-la embora.
Ir embora, ir embora… Por que tanta pressa?
— E ficar para quê? — Cristiano rebateu, frio. — Eu sei operar? Sei tratar? Ou posso fazer milagre agora?
— Pelo menos você pode decidir alguma coisa! — Bruna retrucou, a voz tremendo de raiva.
— E você, como avó, não pode? — Ele devolveu, sem a menor paciência.
— Você…!
Esse moleque ingrato.
O que era isso agora? Só porque aquela mulher estava cansada, ele ia largar o próprio sobrinho?
Bruna ainda queria dizer mais alguma coisa.
Mas Cristiano já estava puxando Isabela pela mão e saindo. Nesse instante, Lílian desabou em choro.
Um choro agudo, desesperado, quase cortante.
Ao ouvir aquilo, Bruna ficou ainda mais irritada.
— A criança está mal, a Lílian também está mal, e você ainda resolve ir embora assim?!
Bruna sentia que aqueles dias tinham sido especialmente duros. Um atrás do outro, sem dar trégua.
Mas não importava o quanto reclamassem ou chorassem.
Cristiano não tinha a menor intenção de ficar.
Ele simplesmente pegou Isabela nos braços. Cansada demais para reagir, ela não ofereceu resistência.
Cristiano seguiu em direção aos elevadores.
Durante todo o percurso, o rosto dele permaneceu gelado.
Como se, no mundo inteiro, ninguém fosse mais importante do que a própria esposa.
E, ainda assim, aos olhos de Isabela, aquela atitude dele era… Absurdamente ridícula.
Cristiano levou Isabela embora.
Bruna ficou tão furiosa que sentiu o peito subir e descer com força. As pernas falharam, e ela acabou se sentando no banco do corredor.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar