Se resolvessem voltar naquele momento para o hospital onde o bebê estava, teriam de percorrer cerca de seis ou sete quilômetros.
Cristiano foi direto:
— Vai.
— Certo. — Respondeu Samuel.
Ele alterou o destino no GPS imediatamente, apontando para o hospital materno-infantil.
Cristiano puxou Isabela para os braços, segurando-a com força.
— O que aconteceu? Por que você voltou a sangrar?
Isabela já não conseguia responder. Antes mesmo de tentar, apagou completamente.
O cheiro forte de desinfetante impregnava o ar.
A consciência… Estava vazia, oca.
Cristiano levou Isabela às pressas para o hospital. Desde o instante em que entrou ali, a mente dele ficou completamente em branco.
Isabela estava na sala de emergência.
E ele… Do lado de fora.
Parado diante da porta, imóvel.
Era como se o corpo inteiro tivesse sido engolido por concreto fresco, que endureceu de uma vez.
Samuel voltou depois de pagar as despesas.
Quis se aproximar, dizer alguma coisa, mas a pressão que emanava de Cristiano era sufocante demais. No fim, não teve coragem de chegar perto.
O celular de Cristiano não parava de vibrar.
Provavelmente Bruna. Ou Lílian.
Ele não atendeu.
Só depois de quase uma hora a porta da emergência se abriu.
Isabela foi empurrada para fora em uma maca, ainda grogue, com os olhos sem foco.
Cristiano viu o médico e avançou imediatamente.
— Doutor, como ela está?
O médico retirou a máscara, com um olhar sério.
— Mesmo sendo um aborto precoce, ainda é preciso fazer resguardo. Não é pra ficar saindo por aí desse jeito.
Ele fez uma breve pausa, e a voz ficou mais dura:
— Isso é perigoso.
Aquelas duas palavras, "aborto precoce", fizeram com que o já petrificado Cristiano ficasse ainda mais rígido, como se tivesse congelado por dentro.
Ele encarou o médico, incrédulo.
— O senhor… o que disse? Aborto?
— Eu sei que vocês, que passam o dia inteiro trabalhando, costumam não levar isso a sério. — Continuou o médico, sem dar atenção ao choque de Cristiano. A voz era firme, quase ríspida. — Tem mulher que sofre um aborto num dia e, no seguinte, já está de volta ao trabalho. Mas isso é um dano real ao corpo. O corpo foi ferido. Se precisa descansar, então tem que descansar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar