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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 197

Se resolvessem voltar naquele momento para o hospital onde o bebê estava, teriam de percorrer cerca de seis ou sete quilômetros.

Cristiano foi direto:

— Vai.

— Certo. — Respondeu Samuel.

Ele alterou o destino no GPS imediatamente, apontando para o hospital materno-infantil.

Cristiano puxou Isabela para os braços, segurando-a com força.

— O que aconteceu? Por que você voltou a sangrar?

Isabela já não conseguia responder. Antes mesmo de tentar, apagou completamente.

O cheiro forte de desinfetante impregnava o ar.

A consciência… Estava vazia, oca.

Cristiano levou Isabela às pressas para o hospital. Desde o instante em que entrou ali, a mente dele ficou completamente em branco.

Isabela estava na sala de emergência.

E ele… Do lado de fora.

Parado diante da porta, imóvel.

Era como se o corpo inteiro tivesse sido engolido por concreto fresco, que endureceu de uma vez.

Samuel voltou depois de pagar as despesas.

Quis se aproximar, dizer alguma coisa, mas a pressão que emanava de Cristiano era sufocante demais. No fim, não teve coragem de chegar perto.

O celular de Cristiano não parava de vibrar.

Provavelmente Bruna. Ou Lílian.

Ele não atendeu.

Só depois de quase uma hora a porta da emergência se abriu.

Isabela foi empurrada para fora em uma maca, ainda grogue, com os olhos sem foco.

Cristiano viu o médico e avançou imediatamente.

— Doutor, como ela está?

O médico retirou a máscara, com um olhar sério.

— Mesmo sendo um aborto precoce, ainda é preciso fazer resguardo. Não é pra ficar saindo por aí desse jeito.

Ele fez uma breve pausa, e a voz ficou mais dura:

— Isso é perigoso.

Aquelas duas palavras, "aborto precoce", fizeram com que o já petrificado Cristiano ficasse ainda mais rígido, como se tivesse congelado por dentro.

Ele encarou o médico, incrédulo.

— O senhor… o que disse? Aborto?

— Eu sei que vocês, que passam o dia inteiro trabalhando, costumam não levar isso a sério. — Continuou o médico, sem dar atenção ao choque de Cristiano. A voz era firme, quase ríspida. — Tem mulher que sofre um aborto num dia e, no seguinte, já está de volta ao trabalho. Mas isso é um dano real ao corpo. O corpo foi ferido. Se precisa descansar, então tem que descansar.

— Sim. Pelo que o médico disse agora há pouco, ela sofreu um aborto.

A palavra aborto foi como uma agulha cravada direto no peito de Cristiano.

Aborto.

Então… Ela realmente tinha estado grávida.

Todos os acessos de irritação de Isabela nos últimos dias, todas as crises, todo o descontrole, tudo aquilo… Era por causa disso.

Mas ele nunca acreditou nela.

Nunca acreditou que fosse verdade.

Sempre achou que ela estava exagerando.

Que aquele aborto não passava de coisa da cabeça dela.

Cristiano fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu novamente, um brilho frio atravessou seu olhar.

— Aquele médico que estava sendo investigado… — Disse ele, com a voz afiada. — Quero que você mesmo conduza o interrogatório.

As últimas palavras praticamente explodiram de sua garganta.

Naquele momento, Cristiano parecia um leão fora de controle.

Em um acesso de fúria, ele desferiu um chute violento contra o banco do corredor.

O banco deslizou para fora do lugar com um som agudo e desagradável, ecoando pelo corredor silencioso.

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