— Se comporta. Dorme mais um pouco.
Ela tinha acordado ainda sob o efeito da anestesia. A cabeça de Isabela continuava pesada, turva.
— O cheiro do seu corpo… Me dá vontade de vomitar.
Samuel até ia avisar que a equipe médica já tinha chegado à Villa Monte Alto.
Mas, assim que aquelas palavras saíram da boca de Isabela, o ar dentro do carro pareceu congelar.
O espaço apertado foi tomado por uma frieza sufocante.
Samuel simplesmente não teve coragem de abrir a boca.
Cristiano abaixou o olhar para a mulher em seus braços.
Ergueu a mão e segurou o queixo dela com força.
— Me acha nojento?
Isabela balançou a cabeça, tentando se livrar da pressão.
Mas a mão dele apenas apertou ainda mais.
— Fala.
— Se você é nojento ou não, você sabe muito bem.
Cristiano soltou uma risada baixa, carregada de raiva.
— Sou. Sou nojento. — A voz dele saiu entre os dentes. — Mas fica tranquila. Porque eu vou ser nojento com você pelo resto da vida.
Ao ouvir aquele tom carregado de ódio contido, Samuel só desejou encontrar um buraco no chão para desaparecer.
"Briga lá em cima… Quem mais sofre é quem está embaixo."
Uma hora depois, chegaram à Villa Monte Alto.
Isabela sabia que não tinha como fugir.
E, depois de tanto desgaste, o corpo estava fraco demais para resistir.
No fim, deixou que Cristiano a carregasse para fora do carro.
No instante em que o vento frio bateu contra ela…
Sentiu a cabeça latejar.
A temperatura tinha caído naquele dia.
E a mansão da Villa Monte Alto ficava no alto da montanha. O frio ali era sempre mais intenso do que na cidade.
Isabela se encolheu instintivamente, tremendo.
Cristiano baixou os olhos para ela.
— Tá com frio?
Isabela não respondeu.
Nem sequer lhe lançou um olhar.
Cristiano apenas puxou o casaco mais para perto, apertando-a contra o peito, e seguiu a passos largos para dentro da casa.
Débora desceu do carro logo atrás e apressou o passo para acompanhá-los.
Dentro da mansão, o aquecimento já estava ligado por toda parte.
Cristiano levou Isabela direto para o quarto e a colocou na cama.
— A partir de agora, durante o próximo mês inteiro, você vai ficar de cama.
Isabela franziu o cenho.
— Providencie o quanto antes a mudança da empresa de biotecnologia para o País Y. — Isabela falou direto ao ponto.
Os estúdios e outros negócios eram fáceis de realocar.
O único ao qual ela tinha verdadeiro apego era aquela NeoVida Biociências.
Ao longo dos anos, tinha investido demais ali.
— Fique tranquila. — Respondeu Wallace. — Já estamos nos preparando. O Sr. Yari também está cuidando dos trâmites por lá.
— Ótimo.
No escritório.
Quando Samuel entrou, encontrou Cristiano fumando.
Entre os dedos, um isqueiro era lançado para o alto e apanhado repetidas vezes.
O rosto dele estava sombrio, carregado de irritação contida.
Samuel se aproximou.
— Senhor.
Cristiano não levantou o olhar.
— Conseguiu confirmar?
— Matheus continua negando. — Disse Samuel, com cautela. — Ele insiste que Vanessa e a senhora Lílian nunca o subornaram. Afirma que foi apenas um erro de diagnóstico.
Ao ouvir isso, um brilho cortante atravessou os olhos de Cristiano.
— Não admite, é?
No instante em que aquelas palavras deixaram seus lábios finos, já vinham impregnadas de um frio ameaçador.

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