Na casa de Sérgio, Cristiano fumou quase meio maço de cigarros.
Depois que Sérgio disse que tudo aquilo era absurdo, Cristiano não falou mais nada.
Permaneceu em silêncio, acendendo um cigarro atrás do outro, até consumir quase meio maço. Só então se levantou.
Antes de sair, lançou um olhar frio para Sérgio, que ainda estava sentado no sofá.
— Eu não vou me divorciar dela. — Disse, num tom duro. — E você, junto com o Grupo Hoglay, trate de se aquietar.
Era evidente.
A palavra absurdo, dita por Sérgio, não surtira efeito algum.
Cristiano já estava convencido de que Sérgio e o Grupo Hoglay agiam em conjunto para pressioná-lo.
— E com que direito você pretende continuar esse casamento? — Sérgio provocou, num tom debochado, justamente quando Cristiano já estava à porta.
Cristiano parou.
Virou-se devagar.
O olhar que lançou para Sérgio lembrava o de uma pantera na escuridão, afiado, perigoso, pronto para atacar.
— Você já confiou nela alguma vez? — Sérgio perguntou, sem recuar.
Cristiano permaneceu em silêncio.
— Eu não te avisei? — Sérgio continuou. — Sobre a depressão da Lílian. Eu não te disse para investigar isso direito?
Cristiano virou-se completamente para ele.
Naquele instante, sua expressão estava gelada, sem o menor traço de emoção.
— O que você está querendo dizer? — Perguntou, em voz baixa.
— A criança. — Sérgio foi direto. — Você simplesmente decidiu que foi ela quem levou.
Cristiano acabara de acusar Isabela de crueldade, de não ter limites, de até usar uma criança para ameaçá-lo.
Naquele momento, Sérgio teve certeza de uma coisa.
Antes de ir até ali, Cristiano já havia falado com Isabela por causa da criança.
E não tinha sido uma conversa comum.
Ele partira do pressuposto de que ela era a culpada.
Chamar aquilo de conversa talvez fosse até generoso.
Muito provavelmente tinha sido uma discussão pesada.
Claro.
Do jeito que Isabela estava agora em relação a Cristiano, era até improvável que ela se desse ao trabalho de discutir com ele.
Para ela, isso simplesmente não valia a pena.
Ao ver que Cristiano não respondia, Sérgio soltou um riso curto, carregado de desprezo.
— Um casamento sem o mínimo de confiança. — Disse. — Que sentido tem continuar com algo assim?
— E o que isso tem a ver com você?! — Cristiano explodiu.
Isabela era sua esposa.
Eles deveriam passar a vida inteira juntos, envelhecer lado a lado.
Precisava mesmo de alguém de fora decidindo se aquilo fazia sentido ou não?
— Não tem nada a ver comigo. — Sérgio respondeu, frio. — Mas, se ela quiser ir embora… Eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá-la.
— Sérgio! — Cristiano rugiu, tomado pela raiva.

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