E hoje…
Uma neta morta.
E ela ainda tinha levado um tapa.
Depois disso, Bruna já não via motivo algum para medir palavras.
Assim que ouviram que tinha sido Isabela, tanto Lílian quanto Taís arregalaram os olhos.
— Mãe, o quê? — Taís quase gritou. — Você está dizendo que foi a Isabela que te bateu? Ela enlouqueceu? Você ainda é sogra dela, goste ou não!
Ela simplesmente não conseguia acreditar.
Sempre acharam que Isabela era mal-educada, sem refinamento. Mas chegar a esse ponto?
Parecia absurdo até mesmo para os padrões dela.
Lílian também empalideceu.
— Mãe… Foi mesmo ela?
Bruna soltou um riso amargo.
— Quem mais seria? Em Nova Aurora, quem teria coragem de me tratar assim?
A voz dela transbordava rancor.
Durante todos aqueles anos naquela cidade, todos a trataram com respeito. Sempre com deferência.
Desde que Isabela entrara para a família Pereira, nunca houve harmonia entre as duas.
Mas, naquele dia, ela tinha ultrapassado todos os limites.
Taís levantou-se de um salto, tomada pela indignação.
— Isso é um absurdo! Ela teve coragem de bater em você! E meu irmão? Ele não fez nada? Não colocou ela no lugar dela?
Na cabeça de Taís, algo assim era imperdoável.
Se Cristiano soubesse ou melhor, quando soubesse, não poderia simplesmente deixar passar.
Mas, ao ouvir o nome do filho, o rosto de Bruna escureceu ainda mais.
O silêncio que se seguiu disse mais do que qualquer resposta.
Lílian observou primeiro Taís, depois Bruna.
Pelo semblante dela, já dava para entender.
Cristiano provavelmente ficara do lado de Isabela outra vez.
Nos últimos seis meses, tinha sido sempre assim.
Não importava a acusação.
Não importava a situação.
Se o dedo apontava para Isabela, Cristiano permanecia ao lado dela, incondicionalmente.
Mas, desta vez, era diferente, não era?
Uma criança estava morta.
E Bruna tinha sido agredida.
Ao ver a mãe em silêncio, Taís compreendeu tudo e ficou ainda mais indignada.
— Meu irmão enlouqueceu junto com ela, foi? Já era absurdo proteger ela em qualquer situação. Mas agora também?
A voz subia a cada frase.
— Divórcio. Desta vez tem que ter divórcio. E não é só isso. Aquela mulher tem que ir para a cadeia.
Uma criança tinha morrido.
Taís se recusava a acreditar que Isabela sairia ilesa outra vez.
Desta vez, nem Sérgio conseguiria protegê-la.
Só de pensar que Sérgio também tomava o partido de Isabela, o estômago dela queimava de raiva.
Nesse momento, Lílian começou a chorar.
— Minha filha… Minha filha…
A voz se quebrou em soluços.
Ela se agarrou ao travesseiro, tremendo, como se estivesse à beira de um colapso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar