Cristiano não voltava.
E a paciência de Bruna com Isabela tinha chegado, de vez, ao limite.
Ela chamou a polícia.
O motivo?
Invasão de domicílio.
Quando os policiais chegaram, Isabela também havia acabado de acordar da soneca da tarde.
Desceu as escadas com toda a calma do mundo. Mas, ao ver que a bagunça na sala continuava exatamente como antes, seu rosto escureceu na mesma hora.
Então se voltou para Wallace, que vinha logo atrás dela:
— Já que ninguém quer esse lixo, pode jogar tudo fora.
Bruna estava na sala com os policiais.
Ao ouvir aquilo, ficou tão furiosa que quase perdeu a cor do rosto.
— Como assim lixo que ninguém quer? Isabela, não abuse da sorte. Sua vadia...
Isabela nem se deu ao trabalho de olhar para ela.
Com um leve sorriso no canto dos lábios e um ar despreocupado, como se a presença da polícia não significasse absolutamente nada, reforçou:
— Tudo o que estiver sujo, joga fora.
Aquela postura de superioridade absoluta deixou Bruna ainda mais sufocada de raiva.
Ela se virou para os policiais e disparou:
— Viram? Viram com os próprios olhos? É assim que ela trata a dona desta casa.
Cada palavra saía carregada de indignação.
— Invadir a minha casa já não bastava, agora ela ainda quer mandar jogar fora as nossas coisas. Onde já se viu uma coisa dessas? Então quer dizer que não existe mais lei?
No fim, apontou para Isabela e quase gritou:
— Prendam essa mulher!
Bruna estava fora de si.
Recusava-se a acreditar que realmente não havia nada que pudesse fazer contra Isabela.
No caso da criança, elas já não tinham conseguido pressioná-la.
Será que agora, em Nova Aurora, iam mesmo deixar aquela mulher fazer o que bem entendesse?
Ela não aceitava aquilo de jeito nenhum.
Quando Bruna chamou a polícia, Wallace e os outros já haviam sido avisados.
Agora, vendo o estado em que ela se encontrava, Isabela soltou uma risada baixa.
— Não precisa armar esse espetáculo na frente da polícia. Invasão de domicílio? Eu sou da família Pereira. Voltar a morar aqui não podia ser mais natural.
— Da família Pereira, uma ova. Eu não reconheço isso.
Bruna estava tão furiosa que parecia prestes a ter um derrame.
Uma pessoa como Isabela era exatamente o tipo que ela jamais tinha aceitado.
E agora, menos ainda.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar