A sala inteira afundou num silêncio pesado, quase sufocante.
Bruna desceu as escadas às pressas, foi direto até Cristiano e Taís e gritou com Isabela:
— Se alguém te fez mal, acerte as contas com essa pessoa. Por que está descontando tudo na gente? Sua mulher cruel… Quer ver todo mundo morto, é isso?
Isabela respondeu com uma calma que chegava a assustar:
— Quer saber? Morrer… Até que é uma boa maneira de acabar com tudo.
Cristiano não disse nada.
Bruna também não.
Depois daquilo, o ar na sala pareceu ficar ainda mais sombrio.
Os dois olharam para Isabela como se, de repente, faltasse ar nos pulmões.
Ela apoiou a xícara sobre a mesa, ergueu os olhos e encarou os dois com um sorriso leve nos lábios.
— Querem morrer?
Ela estava sorrindo.
Mas não havia nada de humano naquele sorriso.
Era algo torto, quase doentio.
Uma expressão tão insana que dava a impressão de que, no segundo seguinte, ela poderia pegar uma faca da fruteira e cravá-la neles sem piscar.
Até pouco antes, Bruna ainda gritava cheia de arrogância, amparada pela presença de Cristiano.
Agora, diante daquela versão de Isabela, toda a sua confiança foi esmagada de novo.
Como ela pôde se esquecer?
Os homens de Isabela tiveram coragem de lhe dar um tapa na frente do próprio Cristiano, e ele não pôde fazer nada.
E ela realmente achou que, só porque Cristiano tinha voltado, conseguiria pressionar Isabela?
Não dava mais.
Ela já não tinha o menor controle sobre aquela mulher.
Nenhum.
Naquele instante, essa certeza atravessou o peito de Bruna com uma clareza brutal.
Cristiano encarava Isabela de maxilar travado, os olhos tomados por uma frieza sombria.
Foi então que Taís tossiu baixinho em seus braços e se mexeu de leve.
Ainda zonza, abriu os olhos devagar. Quando percebeu que era Cristiano quem a segurava, a sensação de injustiça veio de uma vez, apertando seu peito e ardendo na ponta do nariz.
Ela fungou, cheia de mágoa.
— Irmão...
Cristiano baixou os olhos ao notar que ela tinha despertado.
— Como você está?
Taís fez uma careta. Sua voz saiu fraca, trêmula:
— Minha cabeça dói muito… Estou sem força nenhuma. Eu realmente não aguento mais… Está tão frio...
Lá fora, o vento soprava forte demais.
Frio o bastante para fazê-la tremer sem parar.
E, sob aquele vento cortante, ela ainda teve de enfiar as mãos na água gelada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
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