O rosto de Cristiano escureceu ainda mais.
— Então quando você pretende resolver isso?
— Eu… — Samuel gaguejou. — Desde ontem estou lidando com a crise de opinião pública da Sra. Lílian… Essas… Coisas…
Quanto mais falava, mais baixa ficava sua voz.
O olhar de Cristiano cravado nele era perigoso.
Como o de uma cobra venenosa prestes a atacar, sombrio, frio, implacável.
Samuel não ousou insistir naquele caminho.
— A lista já está toda organizada. — Apresou-se em dizer. — Vou mandar os advogados cuidarem disso imediatamente.
Enquanto falava, pareceu lembrar-se de algo importante.
Mas, ao perceber que Isabela ainda estava ali, engoliu as palavras que pretendia acrescentar.
Sem perder mais tempo, saiu do escritório quase às pressas.
Isabela voltou a se debater nos braços de Cristiano.
— Se você não me soltar agora, eu não vou ser educada.
Cristiano a puxou diretamente até o sofá e a pressionou para que se sentasse.
— Hoje você fica aqui.
O tom era duro, autoritário, carregado de uma ordem que não admitia recusa.
Isabela se moveu de lado e, com um gesto seco, afastou a mão dele de seu ombro.
O simples fato de ela não querer ser tocada daquele jeito fez algo latejar ainda mais dentro dele.
A têmpora que ela tinha atingido pouco antes parecia doer em dobro.
Cristiano virou-se, caminhou até a mesa e sentou-se na cadeira atrás dela.
Acendeu um cigarro e deu duas tragadas rápidas, irritadas.
— Hoje os advogados vão devolver tudo o que é seu. — Disse, sem olhar para ela. — E você também deveria controlar um pouco esse seu temperamento.
Só de pensar no temperamento de Isabela, a cabeça de Cristiano parecia prestes a explodir.
Antes, ela era tão obediente.
Tão dócil.
Tão fácil de lidar.
Quem diria que, quando resolvia criar caso, seria capaz de virar tudo de cabeça para baixo.
Ela tinha praticamente rasgado o céu ao meio.
Isabela lançou-lhe um olhar gelado.
— Birra é coisa infantil. Quem gosta disso é a Lílian.
Ela, Isabela, sempre jogava pra valer.
Ao ouvir aquele tom frio, Cristiano apertou os dedos contra a própria testa dolorida.
— E outra coisa. — Continuou ela. — Nem venha com esse papo de devolver o que é meu. — Um sorriso duro se formou em seus lábios. — Da próxima vez que alguma delas resolver se jogar de um prédio ou de uma ponte, aí de novo vão dizer que eu sou mesquinha por não ceder.
— Ontem à noite, no terraço do hospital… — Isabela inclinou levemente a cabeça. —Você ficou lá, passando um bom tempo tentando acalmar a sua cunhada, não foi?
A palavra "acalmar", dita daquele jeito, soava como uma ironia afiada.
A respiração de Cristiano se tornou pesada.
Isabela não tinha mais nada a dizer.
Levantou-se e foi direto em direção à porta do escritório.
Mas a porta estava trancada à distância.
Ela girou a maçaneta algumas vezes, sem sucesso, e se virou bruscamente.
— Abre a porta.
— Abrir o quê? — Cristiano respondeu com frieza. — A partir de agora, a gente vai ficar junto vinte e quatro horas por dia.
As palavras "vinte e quatro horas" fizeram o rosto de Isabela esfriar ainda mais.


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