Sérgio não respondeu à pergunta de Isabela sobre como sabia daquilo.
Em vez disso, cortou um pedaço de cordeiro assado no ponto certo e colocou no prato dela.
— Nesse período de recuperação, imagino que a comida tenha sido sem graça.
Isabela assentiu.
— Sim. Tudo muito leve.
Embora os pratos tivessem sido pensados para fortalecer o corpo e até fossem agradáveis ao paladar, no fundo nada daquilo combinava com o gosto dela. Por isso, já fazia tempo que pensava em sair para comer de verdade assim que estivesse totalmente recuperada.
O cordeiro estava exatamente como ela gostava: dourado por fora, suculento por dentro, no ponto certo.
— O Cristiano já soube do caso da Lílian com o Marcelo. Você sabia?
Isabela fez que sim com a cabeça.
— Desde ontem à noite. Quando ele voltou para a mansão da família Pereira, acabou vendo a Lílian entrando no carro do Marcelo.
— E depois?
Enquanto perguntava, Sérgio servia sopa para ela.
Ao ouvir a pergunta, Isabela interrompeu o movimento da mão por um instante, os talheres suspensos no ar.
— Depois, ele decidiu que fui eu quem obrigou a Lílian a entrar no carro do Marcelo.
Sérgio não disse nada.
Mas sua expressão se fechou na mesma hora.
Era evidente que aquilo só aumentava ainda mais sua antipatia por Cristiano.
Isabela soltou uma risada seca.
— Eu realmente não entendo a lógica dele. Ele acha que fui eu quem forçou a Lílian, mas nem se dá ao trabalho de pensar no motivo. Eu ia obrigá-la a entrar no carro do Marcelo pra quê? Pra forçá-la a se vender?
Sinceramente, Isabela já não conseguia acompanhar a linha de raciocínio de Cristiano.
Para ele, tudo o que saía da boca de Lílian virava verdade. E, do jeito que ela sabia se fazer de coitada, provavelmente contou a história pela metade, se colocou como vítima e deixou o resto subentendido.
Pronto. Bastou isso para o mal-entendido ganhar forma.
O problema era que Isabela não fazia ideia de até onde Cristiano tinha levado esse mal-entendido dentro da própria cabeça.
Ao ouvir a expressão "se vender", Sérgio primeiro se surpreendeu.
No instante seguinte, deixou escapar uma risada baixa.
De repente, ocorreu-lhe que, quando aquela garota perdia a paciência, até o jeito de reclamar ficava estranhamente adorável.
Isabela bufou, ainda indignada.
— E tem mais uma ainda mais ridícula. Ele chegou a desconfiar que foi você quem me vendeu para o Adrian.
Sérgio ficou em silêncio por um momento.
O sorriso em seu rosto se aprofundou.
— Estou começando a achar que aconteceu coisa demais nesses últimos tempos, e os neurônios dele embaralharam de vez.
Porque, a menos que estivesse completamente perdido, como Cristiano conseguiria dizer um absurdo atrás do outro?
Sérgio falou com calma:

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