Entrar Via

Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 9

Lílian, que até então vinha resistindo com todas as forças, percebeu pelo canto do olho a presença de Cristiano e Bruna à porta.

No mesmo instante, os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Eu não quis dizer isso… Eu realmente não sabia… Belinha, solta eu primeiro… ah… — A voz tremia. — Meu ferimento… Dói muito…

Aquela frase, "meu ferimento dói muito" fez a raiva de Bruna explodir de vez.

— Isabela. Solta a Lili agora. — Gritando, ela avançou como uma louca para dentro do quarto.

No exato momento em que Lílian começava a encenar, Isabela já sabia.

Cristiano e Bruna tinham chegado.

Um leve sorriso surgiu no canto de seus lábios.

Ela encontrou o olhar triunfante de Lílian.

E então, sem hesitar, a mão que segurava os cabelos dela puxou com força.

"BOM."

A cabeça de Lílian bateu violentamente contra a grade da cama.

— Aaaah!

O grito cortou o ar.

Bruna soltou um berro de pavor e correu, envolvendo Lílian nos braços para protegê-la.

O olhar que lançou para Isabela era de ódio puro, como se quisesse devorá-la viva.

— Você enlouqueceu de vez? — Gritou Bruna. — Se quer surtar, vai surtar longe daqui. Ela acabou de passar por uma cesariana. Como você pode fazer isso com ela?

Lílian se agarrou ao próprio abdômen. O rosto estava completamente branco de dor.

— Ai… Minha barriga… Dói muito… Mãe, minha barriga…

Ao ouvir aquilo, Bruna perdeu qualquer resquício de controle:

— Como você pode ser tão cruel? Tão venenosa? Como pode fazer isso com ela?

Naquele momento, Lílian era a grande heroína da família Pereira.

O centro de todas as atenções.

A pessoa que todos protegiam acima de qualquer coisa.

Bruna jamais permitiria que Isabela encostasse um dedo nela.

Isabela soltou uma risada baixa, carregada de desprezo:

— Ela não teve medo nenhum de se jogar da cadeira de rodas de propósito só para prender o Cristiano. Isso mesmo correndo o risco de abrir o próprio ferimento. E você ainda espera que eu tenha educação e cuide com carinho de alguém que acabou de passar por uma cesariana?

Na noite anterior, Lílian havia caído da cadeira de rodas no momento exato.

Dizer que aquilo não tinha sido intencional?

Quem acreditaria?

Ferimento abrindo ou não, ela nunca teve medo.

E ainda queria que os outros a tratassem como se fosse frágil, protegida, intocável.

Ridículo.

— Que absurdo é esse que você está falando? Você é completamente… — Explodiu Bruna.

— Ainda quer que eu peça desculpa? — Isabela soltou um riso curto.

Bastou lançar um único olhar para Bruna antes de desviar a atenção e pousá-la diretamente em Cristiano.

Ele a encarava com os lábios cerrados.

O olhar era duro, gelado.

Uma frieza que Isabela nunca tinha visto antes.

Ela sabia.

Ele estava realmente furioso.

E era por causa da Lílian.

Isabela desviou o olhar dele.

Não valia mais a pena.

Virou-se novamente para Lílian. A voz saiu baixa, fria como lâmina:

— Eu detesto gente que faz teatro comigo. Guarda isso bem. Da próxima vez que você resolver atuar… Eu vou revidar exatamente assim.

— Sai daqui. Some. — Bruna gritava, fora de si. — Some da minha frente.

Isabela nem se deu ao trabalho de responder.

Virou-se e caminhou em direção à porta.

Ao passar por Cristiano, ele agarrou o pulso dela de repente.

Isabela parou e lançou um olhar rápido para a mão dele:

— O quê? Ainda quer que eu peça desculpa?

— Deixa ela ir. — Antes que Cristiano dissesse qualquer coisa, Lílian se adiantou.

A dor na barriga era intensa demais.

Ela não queria mais lidar com Isabela naquele estado fora de controle.

— Eu vou chamar a polícia. Vou chamar a polícia. — Bruna berrava, completamente descompensada.

Ao perceber que Isabela já não demonstrava nem respeito nem medo, Bruna finalmente perdeu a cabeça.

Queria vê-la presa.

Queria mandá-la direto para a cadeia.

Isabela se virou. O olhar era frio:

— Chama. Ótimo. Pode chamar a polícia.

O tom de desprezo ecoou pelo quarto, fazendo Bruna quase passar mal de raiva.

Isabela saiu sem olhar para trás.

Cristiano lançou um último olhar para Bruna e Lílian.

Em seguida, virou-se e foi atrás dela.

— Isso é de matar. — Bruna bufava, tremendo de ódio. — Que tipo de mulher ele foi arrumar… E ainda fica passando a mão na cabeça dela.

— Mãe… — Lílian gemeu, segurando a barriga. — Chama o médico…

Ao ver o rosto dela contorcido de dor, Bruna se desesperou:

— Meu Deus… Lili… Calma, calma… Eu vou chamar o médico agora mesmo.

Ela se apressou para ajudá-la a deitar. O coração batia acelerado.

No instante em que estendeu a mão para ajudar, Bruna sentiu algo úmido na palma.

Ao erguer a mão diante dos olhos, viu que estava coberta de sangue.

— Aaaah!

O grito saiu descontrolado.

O pânico tomou conta dela.

Bruna correu e apertou o botão de emergência com força.

— Lili, minha filha, como você está? — A voz tremia. — Essa Isabela… Eu não vou perdoar essa mulher.

Aquilo era apenas o começo.

Só o começo.

O aperto dos braços de Cristiano ao redor dela ficou um pouco mais forte:

— Belinha…

— Me solta.

A ordem veio gelada, enquanto ela se debatia levemente.

Cristiano não queria soltá-la.

Mas, naquele instante, o celular dele tocou.

Era Bruna.

Irritado, ele desligou a chamada.

No segundo seguinte, o telefone tocou de novo.

Isabela falou com ironia:

— Atende logo. Vai que a sua querida cunhada teve outro problema.

— Essa sua boca… — Cristiano suspirou, completamente exausto.

Havia uma impotência clara no tom dele.

Enquanto falava, ele finalmente soltou Isabela.

Isabela soltou um riso curto, gelado:

— Afinal, o que eu fiz com ela agora há pouco… Realmente foi um pouco bruto.

Ao ouvir isso, Cristiano acabou atendendo a ligação.

No instante em que a chamada se conectou, Bruna começou a chorar de forma histérica do outro lado, sem nem dar tempo para ele falar:

— Cris, vem logo. A Lili está muito agitada. O ferimento no abdômen abriu de novo. Vem depressa.

O volume não era baixo.

Cada palavra chegou claramente aos ouvidos de Isabela.

Ela lançou um olhar frio, quase zombeteiro, para Cristiano.

Incomodado com aquele olhar, ele respondeu de forma ríspida ao telefone:

— Se ela está emocionalmente instável, chama um psicólogo. Se o ferimento abriu, chama um cirurgião. Eu indo aí vou resolver o quê?

— Você… — Bruna ficou sem palavras.

Antes que dissesse qualquer coisa, Cristiano desligou a chamada.

Ao ouvir aquele tom duro dele ao telefone, algo mudou no fundo dos olhos de Isabela.

Uma ponta de surpresa.

Cristiano se aproximou de novo e a envolveu nos braços:

— Amor… Não faz mais isso, está bem? — A voz veio baixa, conciliadora.

Naquele instante, o tom era de puro afago.

Mas soava mais como cansaço do que como cuidado.

Não era proteção.

Era contenção.

Isabela se afastou friamente do abraço.

Quando ergueu os olhos para encará-lo, o olhar estava mais frio do que nunca.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar