Dentro da cabine aquecida do carro, uma brisa fria surgiu de lugar nenhum, fazendo com que Alícia apertasse ainda mais o copo da bebida quente nas mãos.
— Vamos parar de falar sobre ele.
Ela se virou de lado para observar Lúcio, que estava com as mãos no volante e com o olhar baixo, parecendo distraído. Ela deu um sorriso sem jeito.
— Eu devo ter te entediado.
Mas, no fundo, ela sentia que só podia dizer aquelas coisas a Lúcio.
Lúcio pareceu voltar a si, virando a cabeça para olhá-la. Uma emoção fugaz cruzou seus olhos castanhos escuros tão rápido que Alícia mal teve tempo de capturar o sentido antes que desaparecesse sem deixar rastros.
A forte sensação de opressão assustou Alícia por um instante.
Mas, no segundo seguinte, Lúcio desviou o olhar e seus dedos gelados digitaram na tela: [Seu julgamento não deve estar errado.]
[A vida é tão longa...]
Antes que Lúcio pudesse terminar de digitar, Alícia subitamente segurou a mão enluvada dele. Olhou desconfiada para o rosto oculto pela máscara e pela aba abaixada do boné.
— A marca de nascença na sua pálpebra...
A mão do homem que segurava o celular travou de leve.
Ele ergueu a outra mão e puxou a aba do boné ainda mais para baixo.
Vendo que Alícia estava prestes a se aproximar para olhar mais de perto, ele conteve o olhar, apagou a linha inacabada e a alterou para: [É assim desde que nasci.]
Ao notar que Lúcio quase se encostou na porta do carro para evitá-la, Alícia finalmente percebeu que fora muito invasiva.
Um momento antes, em um relance, ela notou que a marca de nascença na pálpebra de Lúcio parecia ter sumido.
Não era possível que Lúcio tivesse feito um procedimento estético para removê-la; ele não parecia ser o tipo de pessoa vaidosa.
Já que ele dera aquela resposta e demonstrava aversão a ser encarado, o mais provável era que a iluminação no carro estivesse escura demais e ela tivesse se equivocado.
— Desculpe, Lúcio. Eu preciso mesmo controlar essa minha curiosidade.
Ela se desculpou pela indiscrição.

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