— Desprezível! — esbravejou Alícia, cerrando os dentes de raiva.
— Eu sou desprezível? — A imagem das mãos dela ensanguentadas dentro do carro passou pela mente de Kylen.
Ela o havia olhado com frieza, preferindo a morte a deixá-lo tocá-la, mas, ao chegar ao hospital, clamava delirante por um homem.
— Foi você quem quebrou o nosso acordo primeiro — disse ele, com a voz gélida carregando um tom evidente de irritação.
Acordo?!
— Esse acordo já era injusto desde o começo, por que eu deveria cumpri-lo?!
Como ela ainda não havia recuperado totalmente suas forças, falar alto a deixou ofegante: — Antes, eu achava que ainda tínhamos um casamento, que enquanto não nos divorciássemos, eu não conseguiria me livrar de você. Mas a verdade é que você me enganou por três anos!
— Acordo? Com que autoridade ou direito você restringe a minha liberdade?!
— Você não passa de um mentiroso, com que moral vem falar em acordo comigo?!
— A premissa desse acordo nunca envolveu qualquer menção ao nosso estado civil — rebateu Kylen, com um tom enigmático.
Ele estava fazendo joguinhos de palavras com ela?
— Ah, muito bem. Os termos do seu acordo com Narciso eram de que a Família Simões não faria nada contra Yolanda e, em troca, você não me procuraria. Se a premissa não incluía o casamento, também não incluía ninguém além da Família Simões. Então, com que direito você me impede de expor Yolanda?
Cada uma de suas palavras sarcásticas perfurava a linha telefônica como uma lâmina afiada.
— Você só quer proteger a Yolanda a qualquer custo. É tão difícil assim admitir isso?
Finalmente, do outro lado, a voz grave e rouca de Kylen lhe fez uma pergunta de volta: — Você está fazendo isso por causa de Dona Maisa, ou por causa de Narciso?
Obviamente, Alícia estava fazendo aquilo por Dona Maisa e Narciso, mas também por si mesma.
Contudo, diante dessa pergunta de Kylen, ela respondeu sem hesitar: — Para vingar Dona Maisa, eu faria qualquer coisa.
Kylen, segurando um cigarro entre os lábios, deixou escapar um sorriso frio.


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