Crescendo juntas, Camila sabia melhor do que ninguém o quanto Júlia amava Arthur.
Ela tinha vários cadernos grandes em casa, lotados de fotos que havia recortado de vários jornais de negócios e capas de revistas. Parecia que ela colecionava as fotos de Arthur desde os dezesseis anos.
A época em que ela esteve mais apaixonadamente louca por ele foi no ano em que ia se formar na faculdade. Naquele ano, Arthur tinha acabado de assumir o cargo de presidente do Grupo Fonseca e tinha vários jantares de negócios. Vira e mexe, ela arrastava a amiga para escolher e provar vestidos de festa com ela. E não era só isso, também a puxava para acompanhá-la nos banquetes.
Camila se lembrava bem da sua expressão de pena, implorando com manha para convencer o irmão a levá-la às festas, enquanto ela a acompanhava. Quase todas as noites elas estavam a caminho de algum banquete.
Tudo só para poder ver ele nas festas. Ela até achava que não importava se Arthur a via ou não.
No Instagram dela, que era visível apenas para três dias, as publicações eram quase todas sobre Arthur desde os dezesseis anos. Nos seus diários trancados no Telegram, o "ele" sobre o qual escrevia também tinha a ver com ele.
Eram muitas coisas... aquelas das quais ela tinha participado, e aquelas que não.
Com muita dificuldade, ela finalmente conseguiu testemunhar a amiga se casando com ele, como tanto queria.
Na época, Camila até chegou a perguntar a ela: — Jú, você tem certeza de que o Arthur... vai te amar do mesmo jeito que você o ama?
Camila lembrava da amiga rindo boba e balançando a cabeça. Ela disse: — Cami, a vida é longa. Desde que ele não tenha ninguém, um dia vai olhar para mim.
E então, Camila assistiu impotente aos três anos de casamento mudarem a amiga drasticamente.
As mãos dela, que antes desenhavam, aprenderam a preparar diversos pratos deliciosos que Arthur adorava comer.

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